Na Capital, postos seguram preço, mas gasolina deve custar mais de R$ 5 com 3º reajuste do ano (Foto: O Jacaré)

O ICMS de 30% de Reinaldo Azambuja (PSDB) não é a única causa do aumento no preço da gasolina, que já pode ser encontrada a mais de R$ 5 o litro em Campo Grande. A política de preços do Governo federal também pesa no bolso do consumidor. Nesta terça-feira (9), a Petrobras elevou o preço do combustível em 9%, o 3º reajuste do ano, e o valor deve caminhar para R$ 6 no interior de Mato Grosso do Sul.

Até o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), responsável pela nomeação do presidente da estatal, admitiu que o brasileiro vai reclamar dos constantes aumentos. “Não é novidade para ninguém: está previsto um novo reajuste de combustível para os próximos dias, está previsto. Vai ser uma chiadeira com razão? Vai”, concordou o presidente.

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Em outro vídeo, gravado na semana passada, o capitão culpou todo mundo pela alta nos preços dos combustíveis, desde os tributos cobrados dos Estados, os impostos federais, a política da Petrobras e a margem de lucro dos donos de postos.

Sem o aumento de 8,2% aplicado nesta terça-feira, o preço da gasolina já teve aumento de 6,11% neste ano na Capital, com o valor médio saltando de R$ 4,579, em dezembro do ano passado, para R$ 4,859 nesta semana. O maior valor encontrado pela ANP, que faz pesquisa semanal, passou de R$ 4,849 para R$ 5,049.

Isso porque os donos de postos não repassaram na íntegra o reajuste de 22% aplicado nas refinarias pela Petrobras, que passou de R$ 1,84 para R$ 2,25 no mesmo período. Outros dois aumentos foram praticados pela companhia neste ano, sendo de 7,6% no dia 19 de janeiro e 5% no dia 27 do mês passado.

Na gestão de Bolsonaro, o Governo federal voltou a praticar a mesma política adotada em 2002 na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de repassar ao consumidor a oscilação no preço do barril no mercado internacional e a cotação do dólar. Nas gestões petistas, de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, a estatal segurava a cotação e era criticada por adotar uma política considerada prejudicial ao mercado.

Litro chega a R$ 5,049 na Capital

TipoDez de 2020Fev de 2021
Médio4,5794,859
Menor preço4,4394,699
Maior preço4,8495,049
Fonte: ANP

“Sempre que ocorre reajuste de preços, ao contrário de que muita gente analisa, as margens de lucro só tendem a baixar, por isso somos totalmente contra aumentos de preços, pois além de afetar principalmente o consumidor final, afeta diretamente o empresário que gera empregos, paga impostos e toda carga de leis municipais, estaduais e federal”, explicou Edson Lazaroto, diretor do Sinpetro (Sindicato dos Revendedores de Combustível).

Com o novo aumento, a média no preço da gasolina na Capital pode superar R$ 5,20. A sorte do consumidor é a concorrência acirrada entre os postos, que impediu o repasse integral dos 22% aplicados pela distribuidora. Neste caso, o litro poderia estar em R$ 5,58, em média, e chegar até a R$ 5,91, o valor máximo.

Dourados já tem o litro cotado a R$ 5,199

Tipo
Médio4,6475,01
Valor menor4,4394,899
Maior valor4,8995,199
Fonte: ANP

Bolsonaro concorda com a queixa do consumidor, mas garantiu que não pode fazer nada. “Daí o cara fala ‘você é presidente do quê?’ Ô, cara. Vocês votaram em mim e tem um monte de lei aí. Ou cumpre a lei ou vou ser ditador. E para ser ditador vira uma bagunça o negócio e ninguém quer ser ditador e… isso não passa pela cabeça da gente”, justificou-se Bolsonaro.

“O preço da refinaria é menos da metade do preço da bomba. Isso é fato. O preço na bomba é mais do dobro da refinaria. O quê que encarece? São os impostos e mais outras coisas também. O imposto federal é alto, o estadual é alto, a margem de lucro das distribuidoras é grande e a margem de lucro dos postos também é grande. Então, está todo mundo errado, no meu entendimento, pode ser que eu esteja equivocado”, explicou o presidente da República.

O problema é que o reajuste de 22% pesa para os pobres e a classe média, os mais penalizados com a aceleração da inflação dos alimentos, que bateu recorde no ano passado. Por outro lado, o salário mínimo teve correção de apenas 5,26%.

Presidente diz que vai ter chiadeira, mas descarta intervir na política da Petrobras porque “não é ditador” (Foto: Alan Santos/PR)