Apesar das sessões virtuais e restrições pela pandemia, Renato Câmara torrou R$ 431.7 mil no ano passado (Foto: Arquivo)

Sete deputados estaduais elevaram os gastos com a cota parlamentar em 2020, apesar da Assembleia Legislativa ter restringindo atividades e realizado sessões virtuais por causa da pandemia da covid-19. O campeão em despesa foi Renato Câmara (MDB), que teve aumento de 17,7% e torrou R$ 431,7 mil no ano passado. Londres Machado (PSD) também não economizou e foi vice-campeão em gastos, com R$ 429,7 mil.

Conforme o Portal da Transparência, no total, os 24 deputados reduziram o gasto com a CEAP (Cota para Exercício da Atividade Parlamentar) em 11,8%, de R$ 9,221 milhões, em 2019, para R$ 8,129 milhões no ano anterior. A maior redução ocorreu no mandato de José Carlos Barbosa, o Barbosinha (DEM), de 35%, de R$ 356,7 mil para R$ 231,8 mil. No entanto, o democrata não apresentou o desembolso de dezembro.

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O destaque positivo continua sendo Marçal Filho (PSDB), de Dourados. O tucano já tinha o menor gasto entre os parlamentares e ainda conseguiu reduzir o valor da cota em 16% no ano passado, de R$ 245,7 mil para R$ 205,6 mil.

Campeão em gastos, Renato elevou as despesas, pagas pelo contribuinte, de R$ 366,6 mil para R$ 431,7 mil no ano passado. Em média, o emedebista gastou R$ 35,9 mil por mês – 99,1% do valor mensal de R$ 36,3 mil que tinha direito. Em dezembro, ele teve despesa de R$ 53,5 mil com o mandato.

A maior despesa foi com consultoria, pesquisa e trabalhos técnicos, que chegou a R$ 29 mil no último mês de 2020. Também houve gasto “normal” com combustíveis, divulgação da atividade parlamentar, locação de imóveis, serviços postais, acesso a internet, entre outros.

O vice-campeão em gastos foi Londres Machado, o decano do legislativo, que está no 11º mandato de deputado estadual. Ele elevou os gastos em 8,8%, de R$ 394,5 mil para R$ 429,7 mil.

O 3º lugar em despesas ficou para Gerson Claro (Progressistas), líder do Governo de Reinaldo Azambuja (PSDB) no legislativo. Apesar da pandemia, o deputado teve aumento de 5,16% no gasto com a cota parlamentar, de R$ 395 mil para R$ 415,4 mil.

Antônio Vaz (Republicanos) também ampliou em 5% os gastos apesar da restrição nas atividades por causa da covid-19. Ele teve despesas de R$ 413,8 mil pagas pelo contribuinte no ano passado, contra R$ 393,9 mil em 2019. A surpresa foi o aumento de 14% nos gastos do deputado estadual Capitão Contar (PSL), que passou de R$ 259,7 mil para R$ 294,5 mil no ano passado.

Confira o gasto do seu deputado e variação

DeputadoValor 20202019Variação
Renato Câmara (MDB)431.709,58366.611,8817,70%
Londres Machado (PSD)429.786,77394.511,198,80%
Gerson Claro (PP)415.447,80395.035,745,16%
Antônio Vaz (Rep)413.861,33393.928,325%
Lucas de Lima (SD)394.416,89391.639,740,70%
Márcio Fernandes (MDB)392.443,91410.155,97-4,31%
Jamilson Name (sem p)384.791,79394.536,90-2,47%
Eduardo Rocha (MDB)381.000,00393.510,83-3,17%
Evander Vendramini (PP)378.713,92379.449,07-0,19%
Cabo Almi (PT)374.160,41410.054,04-8,7%
Neno Razuk (PTB)359.506,92353.483,711,7%
Pedro Kemp (PT)349.987,22413.259,94-15,3%
Lídio Lopes (Patri)330.810,74372.645,2711%
Herculano Borges (SD)321.444,32370.646,30-13,2%
Felipe Orro (PSDB)319.258,55404.238,31-21%
Coronel David (sem p)304.513,08392.210,80-22%
Professor Rinaldo (PSDB)303.586,90385.456,4521,2%
Paulo Corrêa (PSDB)299.698,81381.172,53-21,3%
Capitão Contar (PSL)294.539,05258.797,0314%
Zé Teixeira (DEM)293.433,98345.225,79-15%
Onevan de Matos (PSDB) *271.264,46421.620,270,00%
João Henrique (PL)247.641,49312.833,66-20,8%
Barbosinha (DEM)231.861,94356.744,83-35%
Marçal Filho (PSDB)205.615,31245.781,10-16%
Fonte: ALMS
*Onevan faleceu em novembro após complicações da covid-19

Entre os candidatos a prefeito da Capital no ano passado, a menor redução nos gastos com cota, de apenas 4,3%, foi de Márcio Fernandes (MDB), que passou de R$ 410,1 mil para R$ 392,4 mil. Ele ampliou as despesas nos meses de novembro, quando ocorreu a eleição e gastou R$ 46,1 mil, e dezembro, com 48 mil. Antes, os valores oscilaram entre R$ 14 mil e R$ 36 mil por mês.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) reduziu o gasto com a cota em 15,3%, de R$ 413,2 mil para R$ 349,9 mil. Em 3º lugar na disputa, considerando-se os votos de Promotor Harfouche (Avante), o petista não elevou a despesa do legislativo durante o período eleitoral, mantendo a média de R$ 28 mil nos meses de novembro e dezembro.

João Henrique (PL) reduziu o gasto com a cota em 20,8%, de R$ 312,8 mil para R$ 247,6 mil. No entanto, o liberal não apresentou gasto em dezembro. No mês de novembro, quando houve o primeiro turno da eleição, ele declarou gasto de R$ 67,1 mil com cota parlamentar, sendo R$ 43 mil apenas com a divulgação da atividade parlamentar.

Gasto com cota total

AnoValor
20157.238.808,84
20167.782.855,07
20178.513.587,76
20188.460.787,34
20199.221.091,83
20208.129.495,17
Fonte:Portal da Transparência ALMS

Mesmo comparecendo a maior parte das sessões no plenário, de onde comandava os trabalhos pela internet, o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa (PSDB), declarou redução de 21,3% nos gastos, de R$ 381,1 mil para R$ 299,6 mil.

Apesar da promessa de Corrêa, feita em 2019, de que divulgaria as notas fiscais dos deputados no Portal da Transparência, os deputados continuam sem detalhar os gastos. Apesar de pagar a conta, o contribuinte ainda não tem acesso às notas fiscais, onde poderia ter a oportunidade de conferir quem recebeu o dinheiro.

A Assembleia Legislativa é o único poder que não cumpre na Lei da Transparência. Todos os demais poderes divulgam os salários nominais, menos o legislativo, apesar de ser obrigatório em lei federal há quase 10 anos.

Paulo Corrêa ainda não cumpriu a promessa de publicar as notas fiscais com os gastos dos deputados, pagos pelo povo (Foto: Arquivo/ALMS)