Vereador Donizete, do MDB, assume o comando da prefeitura de Paranhos enquanto a Justiça decide o futuro de Heliomar, eleito com 61% (Foto: Divulgação)

Pela primeira vez na história, quatro cidades de Mato Grosso do Sul não deram posse aos prefeitos eleitos e vão ser comandadas por vereadores a partir desta sexta-feira (1º). Enquanto a situação fica sub judice, com a perspectiva de realizar novas eleições, as cidades terão prefeito com mandato tampão.

Este foi o caso de Paranhos, na fronteira com o Paraguai. Cassado com base na Lei da Ficha Limpa, Heliomar Klabunde (MDB), obteve 3.912 votos (61,67%), mas não conseguiu liminar para tomar posse como prefeito. O atual prefeito, Dirceu Betoni (PSDB), não conseguiu ser reeleito para o 4º mandato.

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A disputa pela presidência da Câmara foi acirrada e movimentou os bastidores da política local. Eleito vereador com 280 votos, Donizete Viaro, o Donizete da Auto Elétrica (MDB), foi eleito presidente da Câmara Municipal com o apoio da oposição por 5 votos a 4. Ele assumirá a prefeitura até a situação ser definida pela Justiça Eleitoral.

O PSDB emplacou o novo presidente da Câmara, Hélio Acosta, que obteve 424 votos. O candidato de Heliomar foi Kim (PTB), que teve 367 votos.

A situação se repetiu em Sidrolândia, onde o prefeito eleito, Daltro Fiuza (MDB), também não conseguiu ser empossado, apesar de ter obtido 10.646 votos (46,44%). Enquanto aguarda o desfecho da Justiça Eleitoral, a cidade de 59,2 mil habitantes será comandada pela vereadora Vanda Cristino Camilo, a Vandinha Camilo (Progressistas), que obteve 689 votos nas eleições deste ano.

Na disputa pela presidência da Câmara, que lhe garantiu o cargo de prefeita tampão, ela derrotou Joscinei Claro, do mesmo partido e irmã do líder do Governo Reinaldo Azambuja na Assembleia Legislativa, Gerson Claro (Progressistas). O legislativo será comandado por Sandro Luiz Gonzales (PSD).

Em Bandeirantes, o prefeito Álvaro Urt (DEM) foi reeleito com 2.280 votos (50,63%), mas também ficou impedido de continuar no comando da cidade com base na Lei da Ficha Limpa. Em disputa apertada, pelo placar de 5 a 4, o vereador Gustavo Sprotte (DEM), foi eleito presidente da Câmara e, consequentemente, tornou-se prefeito da cidade. O presidente do legislativo será Sebastião Pregentino (MDB).

A mesma situação se repetiu em Angélica, onde João Cassuci (PDT) ganhou a prefeitura com 3.294 votos (53,02%), mas acabou sendo impedido de tomar posse pela Justiça Eleitoral.

A confusão promete ser maior porque o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu parte da Lei da Ficha Limpa, que pode beneficiar os quatro candidatos cassados em MS. No entanto, a situação ainda será analisada pela corte.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, ignorou a decisão do colega no STF e manteve as sentenças da justiça eleitoral que cassou as candidaturas dos prefeitos de Angélica, Bandeirantes, Paranhos e Sidrolândia. Um dos pedidos de liminares analisado pelo ministro foi de Cassuci, de Angélica.

Vandinha Camilo derrotou a irmã do líder do Governo Reinaldo e comandará a prefeitura de Sidrolândia (Foto: Divulgação)