Mais uma vez Detran é alvo de uma fase da Operação Lama Asfáltica (Foto: Arquivo)

Parada há dois anos, a Operação Lama Asfáltica não terminou. Nesta terça-feira (24), a Polícia Federal voltou às ruas para deflagrar a 7ª fase, denominada Motor de Lama, para cumprir 19 mandados, sendo 11 de busca e apreensão e quatro de imposição de medidas cautelares. A investigação apura desvio milionário no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) ocorrido por meio da emissão de CNH, vistoria veicular e compra de produtos.

O juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, determinou o bloqueio de R$ 40 milhões dos acusados pelos crimes de corrução passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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Conforme a assessoria da Superintendência Regional da Polícia Federal, 46 policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados. Também foram impostas medidas cautelares, como entrega de passaporte e comparecimento mensal em juízo, contra quatro investigados.

Um personagem novo deve surgir nesta 7ª fase da Operação Lama Asfáltica e complicar ainda mais a imagem de poderosa autoridade sul-mato-grossense, que já está em apuros com a Justiça.

De acordo com a PF, os documentos e indícios dos novos crimes foram descobertos em materiais apreendidos nas fases anteriores da Operação Lama Asfáltica. A última operação, denominada Computadores de Lama, ocorreu no dia 28 de novembro de 2018 e mirou o poderoso empresário João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro, e seus testas de ferro.

Desta vez, conforme a Receita Federal, o grupo usou uma rede de doleiros para enviar o dinheiro desviado do Detran para o exterior. A operação conta com 46 policiais federais, nove auditores fiscais e cinco analistas-tributários da Receita Federal do Brasil. A CGU (Controladoria-Geral da União) também participa da ofensiva.

Desde a deflagração da primeira fase da Lama Asfáltica, em julho de 2015, a PF já apurou o desvio de mais de R$ 400 milhões dos cofres públicos em esquema supostamente chefiado pelo ex-governador André Puccinelli (MDB), pelo ex-secretário estadual de Obras, Edson Giroto, e pelo empresário João Amorim.