Delegado Cléverson arrecadou R$ 171 mil, sendo R$ 150 mil do Bill Gates Pantaneiro (Foto: Divulgação)

Réu na Operação Lama Asfáltica e denunciado na Vostok, o empresário João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro, é um dos principais doadores na atual campanha eleitoral. Até o momento, conforme o Tribunal Superior Eleitoral, ele doou R$ 615 mil para 16 candidatos, sendo quatro a prefeito no interior e 12 a vereador, sendo quatro em Campo Grande.

Na Capital, o poderoso empresário, que não parece preocupado com as suspeitas de corrupção, repassou R$ 100 mil para a vereadora Enfermeira Cida Amaral (PSDB). O montante representa 65,35% dos R$ 153 mil arrecadados até o momento pela tucana. Outros três vereadores receberam R$ 150 mil.

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Cazuza (Progressistas) declarou ter arrecadado R$ 93,5 mil, sendo que 53,4% (R$ 50 mil) é proveniente do Bill Gates Pantaneiro.

A mesma quantia foi doada a Eduardo Romero (Rede) e representa 38,96% da receita do candidato à reeleição (R$ 130 mil).

Papy (SD) também recebeu R$ 50 mil de Baird, mas o valor representa 36,4% dos R$ 137,3 mil declarados pelo representante do Solidariedade.

Cida Amaral (PSDB) recebeu R$ 100 mil do Bill Gates Pantaneiro, acusado de ser beneficiado pelo desvio de milhões dos cofres públicos (Foto: Divulgação)

O maior montante foi doado ao candidato a prefeito de Costa Rica, Cléverson Alves dos Santos, o delegado Cléverson (Progressistas). Ele “ganhou” R$ 150 mil de João Roberto Baird, valor que representa 87% do total arrecadado pelo candidato, R$ 171,9 mil. O irmão do Bill Gates Pantaneiro, Jesus Queiroz Baird foi prefeito de Costa Rica. O sobrinho, Arthur Delegado Baird é candidato a vereador no município.

Outros três prefeitos tiveram doações do réu na Operação Lama Asfáltica. O prefeito de Alcinópolis, Dalmy Crisostomo da Silva, o Dalmy (DEM), recebeu R$ 50 mil, que representa 57% dos R$ 87,2 mil doados até o momento. Concorrendo à reeleição em chapa única, sem adversário, ele nem vai precisar de campanha, já que basta o próprio voto para ser eleito. O cidadão não terá a opção de sim ou não.

Na sua cidade natal, Figueirão, o querido de Baird é o candidato a prefeito Ildo Furtado (PSDB). Dos R$ 104 mil doados ao tucano, R$ 50 mil são do polêmico empresário. O candidato de Coxim, Edilson Magro (DEM), recebeu R$ 20 mil. Ele é o único doador até o momento, já que outros R$ 100 mil foram repassados pela direção nacional do Democratas.

Baird financia sete vereadores em Coxim, com valores diversos, e um em Figueirão.

João Roberto Baird, mesmo com os bens e contas bloqueados, patrocina 16 candidatos em MS (Foto: Reprodução)

O empresário é réu na Operação Lama Asfáltica acusado de integrar o suposto esquema criminoso de desvio de recursos públicos na gestão de André Puccinelli (MDB). Ele também virou réu por emitir notas fiscais frias para justificar a propina paga ao emedebista pela JBS. Juízes federais e estaduais determinaram o bloqueio dos bens e contas do empresário em ações penais e por improbidade administrativa.

Ele também foi denunciado por integrar o suposto esquema criminoso comandado pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que teria recebido R$ 67,7 milhões em propina da JBS em troca de incentivos fiscais. Conforme a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Baird foi o responsável por manter o esquema entre as gestões emedebista e tucana.

Ele foi condenado a prestar serviço e pagar R$ 200 mil pelo desvio de R$ 30 milhões no Departamento Estadual de Trânsito. A sentença de um ano, dez meses e seis dias, pelo crime ocorrido há 15 anos, foi convertida na prestação de serviços à comunidade.