Em livro, ex-assessor revela indignação de ex-ministro com filhos de presidente da República (Foto: Arquivo)

Mais revelações sobre a conturbada demissão do médico Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde põe mais combustível na rixa com o presidente da República. “Minha vontade é pegar um trezoitão e cravar neles. Pelo menos passava a minha raiva”, teria dito o ex-ministro, durante desabafo, sobre os filhos de Jair Bolsonaro (sem partido), o vereador Carlos Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, do Republicanos.

A frase teria sido dita na véspera da demissão de Mandetta, conforme o livro “Guerra e Saúde”, que vai ser lançado no próximo dia 10 de novembro pelo jornalista Ugo Braga, ex-assessor do Ministério da Saúde.

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De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo (veja aqui), o ortopedista estava indignado com a atuação dos três filhos de Bolsonaro. “O presidente é bom, é bem intencionado. O problema é aqueles filhos dele, que ficam o dia inteiro xingando nas redes sociais. Sorte que eu não mexo com essas coisas”, teria dito Mandetta.

As revelações imediatamente repercutiram nas redes sociais e passaram a ser usadas pelos seguidores de Bolsonaro para voltar a detonar Mandetta. “Gradativamente, o péssimo caráter  de Mandetta e sua má índole estão vindo à tona”, postou o Jornal da Cidade Online.

Ao jornal, o ex-ministro da Saúde afirmou que não se lembrava do desabafo e garantiu que os filhos de Bolsonaro não faziam parte das suas preocupações na época. Em 16 de abril passado, quando foi demitido, Mandetta tinha o apoio de 76% dos brasileiros, de acordo com pesquisa do Datafolha.

A notoriedade dada pelo combate à pandemia tornou Mandetta um dos nomes do DEM para disputar a Presidência da República em 2022. Na última pesquisa, divulgada nesta semana pelo XP Ipespe, Bolsonaro teria 31%, seguido por Fernando Haddad (PT), com 14%, Sergio Moro (sem partido), com 11%, Ciro Gomes (PDT), com 10%, Luciano Huck (Globo), com 5%, João Doria (PSDB) e Mandetta teriam 3%.

Em hipotético segundo turno, Bolsonaro derrotaria Lula e Haddad, por 43% a 35%. No confronto com Mandetta, o presidente ganharia por 42% a 30%. Já Huck seria derrotado por 42% a 28%, enquanto com Moro, daria empate técnico, 35% a 36%.