Cristaldo foi solto pelo STJ três dias depois de Supremo mandar prendê-lo (Foto: Arquivo)

Durou apenas três dias a terceira prisão do tenente-coronel Admilson Cristaldo Barbosa, condenado a 20 anos, quatro meses e oito dias de prisão por dar apoio à Máfia do Cigarro. Preso na Operação Oiketicus, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado) em 16 de maio de 2018, o oficial foi beneficiado por habeas corpus concedido pela ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça.

As reviravoltas constam dos despachos do juiz Alexandre Antunes da Silva, da Auditoria Militar. No dia 21 deste mês, ao acatar a determinação da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que revogou o habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio, o magistrado determinou a prisão imediata de Cristaldo.

Veja mais:

STF revoga habeas corpus e manda tenente-coronel voltar à prisão para cumprir 20 anos

Fux diverge de Marco Aurélio e vota para oficial condenado a 20 anos voltar à prisão
Marco Aurélio manda soltar pela 2ª vez oficial da PM condenado a 20 anos de prisão

TJ condena oficial da PM por propina de R$ 200 mil e tenente-coronel acumula pena de 20 anos

No entanto, três dias depois, na quinta-feira passada (24), o juiz emitiu o alvará de soltura do tenente-coronel ao acatar a determinação de Laurita Vaz. “Ante o exposto, DEFIRO o pedido de extensão ao Requerente Admilson Cristaldo Barbosa, para revogar a sua prisão preventiva, se por al não estiver preso, sem prejuízo de nova decretação por fato superveniente a demostrar a necessidade da medida extrema ou da fixação de medidas cautelares alternativas (art.319 do Código de Processo Penal), desde que de forma fundamentada”, determinou a ministra.

Em um dia, juiz manda prender oficial da PM (Foto: Reprodução)
Três dias depois, ele manda soltar tenente-coronel (Foto: Reprodução)

Com a decisão, o oficial está solto desde a semana passada. É a terceira vez que Cristaldo obtém alvará de soltura nas cortes superiores em Brasília.

Preso em 16 de maio de 2018 pela primeira vez, ele ficou detido até 17 de setembro do ano passado, quando o ministro Marco Aurélio, do STF, concedeu habeas corpus. No entanto, a turma revogou o benefício pelo placar de 4 a 1 e Cristaldo retornou ao presídio no final de outubro de 2019.

No dia 3 de junho deste ano, Marco Aurélio novamente concedeu habeas corpus e liberou o militar. Em julgamento virtual, concluído no dia 14, a 1ª Turma revogou, pela segunda vez, o habeas corpus e restabeleceu a prisão preventiva.

O ministro Luiz Fux, presidente do STF, ainda nem concluiu o acórdão sobre a manutenção da prisão preventiva de Admilson Cristaldo Barbosa, mas ele já foi solto.

Cristaldo foi condenado a sete anos, um mês e 10 dias por dar cobertura para a Máfia do Cigarro quando era comandante do Batalhão da Polícia Militar em Jardim. O MPE recorreu e a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça o condenou a mais seis anos, três meses e 18 dias por integrar organização criminal no papel de liderança. Com a decisão, a sentença passou a somar 13 anos, quatro meses e 28 dias.

O oficial foi condenado pela 3ª Câmara Criminal do TJMS por ter recebido aproximadamente R$ 200 mil em propinas no período em que atuou como assessor militar do Tribunal de Contas do Estado. A sentença foi de quatro anos, quatro meses e oito dias.

O militar já foi condenado a três anos em regime aberto por obstrução de investigação de organização criminosa ao se negar a fornecer a senha do telegram, aplicativo de mensagem semelhante ao WhatsApp.