Desde o início da pandemia, trabalhadores vivem drama de enfrentar longas filas nas agências de emprego (Foto: Arquivo/Leonardo França/Midiamax)

O Benefício Emergencial impediu a demissão de 37,1 mil trabalhadores em Mato Grosso do Sul, que tiveram desde a redução de 25% até a suspensão integral do salário. No entanto, o programa não impediu o fechamento de 6.992 vagas no mercado de trabalho no Estado – o pior resultado para o mês de abril na história, segundo a Secretaria Especial de Previdência e Tralho do Ministério da Economia.

O novo Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) reflete o impacto da pandemia do coronavírus em MS. Desde meados de março, quando prefeituras determinaram o fechamento do comércio e suspensão do setor de serviços, empresários não conseguiram acesso às linhas de financiamento anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e passaram a demitir.

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No entanto, graças ao Programa Emergencial do Emprego e Renda, a situação não foi pior no Estado. De acordo com o ministério, 37.160 trabalhadores aceitaram o acordo para manter o emprego. No País, 8,154 milhões fizeram o acordo, que foi desde a suspensão do recebimento do salário por dois meses (4,440 milhões) até redução de 25% (1,125 milhão), de 50% (1,430 milhão) e de 70% (991,6 mil).

Em Mato Grosso do Sul, empresas demitiram 16.489 trabalhadores, mas contrataram 9.497 pessoas. Isso significa que foram fechadas 6.992 vagas no Estado no mês passado. A história do Caged, o mês de abril só teve resultado pior em 2014, com fechamento de 319 vagas, e 2009, com 314.

No ano passado, conforme o ministério, o Estado tinha fechado o mês de abril com a abertura de 2,6 mil novas vagas no mercado de trabalho.

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A volta do pesadelo do desemprego é uma péssima notícia para Mato Grosso do Sul. Desde a posse de Reinaldo Azambuja (PSDB) em 2015, o Estado fechou vagas no mercado de trabalho. A situação só reverteu no ano passado, com a abertura de 12.599 empregos – o primeiro resultado positivo na gestão tucana.

O boom na geração de empregos se manteve no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o Caged, no acumulado do ano, o Estado fechou o quadrimestre com 734 novos empregos, porque houve resultado positivo nos primeiros meses do ano. O Ministério da Economia mudou a sistemática de divulgação e não detalhou os dados do mês de março.

No País, os setores mais atingidos pela crise foram o comércio e serviços. Este último inclui academias, salões de beleza, hotéis, restaurantes e bares, que voltaram a funcionar, mas precariamente devido ao risco de contágio do coronavírus.