Pandemia gorou megapacote de obras, que era aposta de tucano para recuperar a popularidade (Foto: Arquivo)

Apesar do Estado sofrer os efeitos econômicos de uma das maiores pandemias da história, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) manteve o gasto com publicidade. De acordo com o Portal da Transparência, de 1º de janeiro até o dia 20 deste mês, o tucano empenhou R$ 19,440 milhões para pagar agências de publicidade, mantendo a média, apesar da queda na arrecadação e do colapso nas finanças públicas.

Em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram empenhados R$ 21,574 milhões, houve redução de 9,8%. Em média, o tucano vem investindo R$ 4,8 milhões em propaganda, mesmo valor registrado em 2015.

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O gasto com publicidade viralizou nas redes sociais na semana passada, quando houve a renovação do contrato com as 11 agências de publicidade. O valor total do contrato é de R$ 35 milhões por semestre. Alguns chegaram a divulgar fake News de que o montante gasto era de R$ 350 milhões.

Assinados pelo secretário adjunto de Governo, Flávio Cesar de Oliveira, a renovação dos contratos evidenciou as prioridades do governador. No dia seguinte, ele baixou pacote de medidas para reduzir o gasto com pessoal em R$ 100 milhões em três meses.

Conforme o decreto, o Governo suspendeu o pagamento de diárias, indenizações de transporte, adicionais por longe distância, horas extras, entre outros benefícios dos servidores no regime de teletrabalho.

Por outro lado, Reinaldo não reduziu o próprio salário em 30%. No ano passado, ele teve aumento de 16,37% no subsídio, que passou de R$ 30,4 mil para R$ 35,4 mil por mês. Em decorrência da crise, já que prevê queda de R$ 280 milhões na arrecadação de tributos em maio, o governador não deverá conceder reajuste salarial pelo segundo ano consecutivo aos 81 mil servidores públicos estaduais.

Contudo, os gastos com publicidade ainda não tiveram redução de 25%, uma das metas anunciadas pelo Governo do Estado na semana passada. Dos 11 agências, quatro tiveram aumento no repasse em relação ao ano passado.

De acordo com o Portal da Transparência, o valor empenhado para a Agilitá Propaganda teve aumento de 36%, de R$ 3,517milhões, empenhados no período de 1º de janeiro a 20 de abril de 2019, para R$ 4,804 milhões no mesmo período deste ano.

Gasto entre 1º de janeiro a dia 21 de abril de cada ano

Agência20192020
Ramal Propaganda495.750,00650.184,53
Slogan Publicidade737.406,25568.922,50
Agilitá Propaganda3.517.014,654.804.379,80
Comuniart Comunicação1.751.562,502.724.506,27
Origem Comunicação2.109.064,951.766.298,95
Novo Engenho Comunicação1.757.583,501.874.115,70
B & W Três Propaganda3.282.326,952.180.597,90
Think Service2.158.006,85890.912,81
Art & Traço Publicidade1.639.653,751.017.871,35
Lets Comunicação1.317.413,10707.713,00
Compet Marketing2.809.152,382.254.848,01
Total21.574.934,8819.440.350,82

Outra contemplada com crescimento de 55% no repasse é a Comuniart Comunicação, que passou de R$ 1,751 milhão para R$ 2,724 milhões no período. Já a Novo Engenho Comunicação teve aumento de 6,6%, de R$ 1,757 milhão para R$ 1,874 milhão. A Ramal Propaganda deverá receber R$ 650,1 mil no primeiro quadrimestre deste ano, alta de 31% sobre os R$ 495,7 mil repassados no ano anterior.

No ano passado, quando gastou R$ 59,9 milhões com propaganda, Reinaldo não autorizou reajuste salarial para o funcionalismo público, excluiu 22 mil das 45 mil famílias miseráveis do Vale Renda, reduziu em 32,5% o salário pago a 9 mil dos 18 mil professores da rede estadual e elevou os impostos cobrados sobre a gasolina e dos produtores rurais por meio do Fundersul.

Em 2019, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian não tinha dinheiro para comprar remédios nem mistura para os pacientes e funcionários. Aliás, a instituição só abasteceu os estoques das farmácias após ação na Justiça do Ministério Público Estadual.

Neste ano, quando Reinaldo torra R$ 19,4 milhões com publicidade, funcionários do HR foram obrigados a  recorrer às redes sociais para pedir doações de máscaras para atender os pacientes com coronavírus. Isso porque o hospital foi definido como referência no combate à pandemia no Estado.