Reinaldo conversa com pacientes atendidos na Caravana da Saúde, uma das vitrines da gestão tucana (Foto: Chico Ribeiro/Divulgação)

Sem dinheiro para dar reajuste aos 75 mil servidores públicos estaduais e até para comprar remédios para pacientes internados no Hospital Regional Rosa Pedrossian, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) elevou em 26,7% os gastos com propaganda. De acordo com o Portal da Transparência, o total empenhado com 10 agências soma R$ 25,8 milhões no primeiro semestre deste ano.

No final do mês passado, o tucano enfrentou paralisação dos policiais civis, greve dos administrativos da educação e protestos dos policiais militares, bombeiros e trabalhadores na área da saúde. Eles protestaram contra o congelamento dos salários.

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Em decorrência da suposta falta de dinheiro, o governador não cumpriu nem lei estadual de 2017 e acordo judicial com a Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), que previa reajuste de 4,17% nos salários dos 18 mil professores das escolas estaduais.

A crise quase levou o Hospital Regional em Campo Grande ao colapso. O Ministério Público Estadual se viu obrigado a entrar na Justiça para obrigar o Governo do Estado a comprar remédios para a unidade hospitalar. As farmácias estavam sem vários itens e médicos relataram que foram ao desespero ao descobrir a falta de medicamento e material hospitalar com o paciente na mesa de cirurgia.

Confira os gastos no primeiro semestre

Empresa20182019
Agência R2.381.996,25659.540
Agência S964.487,50916.486,25
Agência C1.709.308,252.665.343,75
Agência O1.104.407,303.669.838,05
Agência N2.076.3912.135.370,50
Agência B1.902.537,404.791.110,70
Agência T3.189.999,802.747.533,56
Agência A2.630.685,902.594.226,75
Agência L1.708.312,501.510.975,60
AgÊncia C22.719.668,214.141.617,98
Total20.387.794,1125.832.043,14
Fonte: Portal da Transparência

Só que esta crise não passou perto dos gastos com comunicação. De 1º de janeiro a 25 de junho deste ano, o total desembolsado com publicidade foi de R$ 25,832 milhões. O valor representa aumento de 26,7% acima dos R$ 20,387 milhões empenhados no mesmo período do ano passado.

O total investido em campanhas publicitárias teve aumento cinco vezes superior à inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,66%, conforme o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE. É o índice oficial usado pelo Banco Central.

Reinaldo elevou o gasto com comunicação depois da Operação Aprendiz, deflagrada em 14 de fevereiro deste ano pelo Ministério Público Estadual, que apura o desvio de R$ 1,6 milhão dos cofres estaduais.

Uma das agências investigadas, a Think Service Design Ltda, teve o contrato prorrogado por mais seis meses em maio deste ano. Conforme o Portal da Transparência, a empresa vai receber R$ 2,747 milhões no primeiro semestre deste ano, redução de 13,8% em relação ao repassado no mesmo período de 2018, quando recebeu R$ 3,189 milhões.

Conforme o contrato firmado pela Secretaria Estadual de Governo e Gestão Estratégica em 2015, o gasto com publicidade pode chegar a R$ 35 milhões por semestre. Na prática, o governador desembolsou menos do que o previsto no contrato.

Durante protesto na frente da casa do governador, policiais cortaram bolo para lembrar um ano sem promoções (Foto: Arquivo)

O problema é que Reinaldo vem enfatizando a crise nas contas estaduais. Em abril passado, quando começou a negociação com os sindicatos, ele ameaçou tirar o abono de R$ 100 a R$ 200 de 37,7 mil servidores, porque o Governo não tinha dinheiro para manter o benefício.

O Governo manteve o abono por mais 12 meses, mas anunciou reajuste zero para os 75 mil servidores. De acordo com o tucano, que se converteu em profeta do apocalipse, há risco até de atraso no pagamento de salários no segundo semestre por falta de caixa.

Outra medida amarga, em decorrência da crise, é a volta da jornada de oito horas após 15 anos. Desde 2004, servidores cumprem jornada de seis horas.

Reinaldo adotou o PDV (Programa de Desligamento Voluntário) para reduzir o gasto com pessoal. Só que, de novo por falta de dinheiro, o Governo vai parcelar a indenização.

O tucano ainda foi ao Supremo Tribunal Federal defender a proposta que permite a redução da jornada para diminuir o salário do trabalhador. A proposta seria adotada para adequar a folha ao limite estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mato Grosso do Sul estourou o limite prudencial e pode recorrer a esta medida, caso seja permitida pelo STF.

O tucano segue a risca o ditado popular de que a propaganda é a alma do negócio.