O advogado Renê Siufi vai passar as próximas analisando a decisão da Justiça. (Foto:
Valdenir Rezende/Correio do Estado)

O advogado Renê Siufi, que defende os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, disse considerar uma “piada” a prisão dos dois, na manhã desta sexta-feira (27), durante a operação Omertà, e que vai passar esta madrugada estudando a decisão, que tem mais de mil páginas, para definir quais serão os próximos passos da estratégia de defesa.

De acordo com o site Campo Grande News, a cópia da decisão foi retirada no cartório da 7ª Vara Criminal da Comarca de Campo Grande pelo advogado André Borges, no fim da manhã, e entregue para Siufi em um pen drive. “É uma decisão longa, são mais de mil páginas”, comentou Siufi, no fim da tarde, explicando que passaria as próximas horas analisando o documento.

Mais cedo, ao Correio do Estado, Renê Siufi classificou como piada a prisão de seus clientes, acusados de fazerem parte de uma organização criminosa que atuou na prática dos crimes de homicídio, milícia armada, corrupção ativa e passiva. “Eu acho uma piada, isso é coisa do Gaeco, igual a Coffee Break. No meu ver não tem nenhum fundamento”, disse ao deixar a sede do Garras, onde os Name estão detidos.

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A operação Omertà é o ponto alto da investigação contra um grupo de extermínio em Campo Grande. O balanço do dia é de apreensão de R$ 160 mil em dinheiro, armas, munição, computadores, documentos, cheques em nome de terceiros e celulares.

Das 23 ordens de prisão, 19 foram cumpridas, sendo o endereço mais afamado o residencial de luxo no Jardim São Bento onde moram Jamil Name, de 80 anos, e o filho que leva seu nome.  A força-tarefa permaneceu no residencial por cinco horas.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a operação foi às ruas para desarticular organização criminosa voltada à prática de milícia armada, porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, homicídio, corrupção ativa e passiva. Os crimes se entrelaçam com a investigação em curso desde abril que apura três execuções  na Capital.


Dinheiro apreendido em operação do Gaeco que prendeu Jamil Name e sacudiu a sexta-feira em Campo Grande. (Foto: Divulgação Gaeco)

As vítimas foram Ilson Martins de Figueiredo (policial militar reformado e então chefe da segurança da Assembleia Legislativa), Orlando da Silva Fernandes (ex-segurança do narcotraficante Jorge Rafaat) e o universitário Matheus Coutinho Xavier (a suspeita é de que o alvo fosse seu pai, um policial militares reformado). O crime mais recente foi a execução do universitário, ocorrida em 9 abril deste ano.

No mês seguinte, em 19 de maio, foi apreendido arsenal com o guarda municipal Marcelo Rios, levantando suspeita da ligação entre as execuções e os fuzis apreendidos. Na sequência, mais dois guardas municipais foram presos e denunciados pelo Gaeco por atrapalhar a investigação e participar de organização criminosa.

Nesta sexta-feira, foram presos mais guardas, além de policiais civis, um policial federal e militar da reserva do Exército. O quadro é representativo das ramificações da milícia nas forcas de segurança. Empresário, Jamil Name comemorou, neste ano, aniversário de 80 anos. A festa foi registrada em coluna social, com a presença de políticos e do high society.

A operação foi realizada pelo Gaeco, força-tarefa da Polícia Civil que investiga as execuções na Capital, Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros), Batalhão de Choque e Bope. As ordens de prisão são do juiz Marcelo Ivo de Oliveira, da 7ª Vara Criminal de Competência Especial da Capital. Considerado de perfil técnico, o magistrado já condenou o empresário e milionário José Carlos Lopes, o Zeca Lopes, por estupro de meninas.

Omertà é um termo da língua napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do sul da Itália. Fundamenta-se num forte sentido de família e em um voto de silêncio.


Gaeco e Garras no condomínio de empresário e filho. (Foto: Divulgação Gaeco)