Agentes do Gaeco amanheceram em
condomínio de luxo para cumprir mandado de prisão contra empresário. (Foto: Henrique Kawaminami/CG News)

A operação Ormetà deixou muita gente de cabelo em pé na manhã desta sexta-feira (27), mesmo que para alguns não tenha sido uma total surpresa, já que em conversas, na mais absoluta discrição, o assunto vinha sendo tratado como apenas uma questão de tempo. E este dia chegou. Os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho foram presos na ação que cumpre 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 de busca e apreensão, todos em Campo Grande.

A ofensiva policial conta com agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), força-tarefa da Polícia Civil que investiga execuções na Capital, Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros), Batalhão de Choque e Bope. As ordens dos mandados são do juiz Marcelo Ivo de oliveira, da 7ª Vara Criminal de Competência Especial da Capital.

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Os alvos são investigados por supostamente fazerem parte de uma organização criminosa atuante na prática dos crimes de homicídio, milícia armada, corrupção ativa e passiva. Jamil Name e Jamil Name Filho foram presos preventivamente, por tempo indeterminado, em um condomínio de luxo no Jardim São Bento. O patriarca é apontado como o chefe da organização criminosa.

Além deles, de acordo com os sites Campo Grande News e Midiamax, três policiais civis da ativa e um aposentado também foram presos até este momento. Um policia federal também foi preso por uma equipe da PF, em Bonito.

Os portais creditam as investigações como consequência da prisão do guarda municipal Marcelo Rios, no dia 19 de maio, com um arsenal que pode estar ligado a crimes de pistolagem em Campo Grande e seria funcionário de Jamil Name.

O arsenal tinha o mesmo modelo de fuzil usado nas execuções de Ilson Martins de Figueiredo (policial militar reformado e então chefe da segurança da Assembleia Legislativa), Orlando da Silva Fernandes (ex-segurança do narcotraficante Jorge Rafaat) e o universitário Matheus Coutinho Xavier (a suspeita é de que o alvo fosse seu pai, um policial militar reformado).

Outros dois guardas municipais, que também trabalhavam na segurança de Jamil, foram presos após a descoberta do armamento. Eles foram denunciados pelo Gaeco por obstruir investigação e integrar organização criminosa.

A prisão de Jamil Name deve deixar muita gente apreensiva, já que o renomado empresário da Capital é conhecido pela proximidade com a elite de Mato Grosso do Sul.

Omertà é um termo da língua napolitana que define um código de honra de organizações mafiosas do Sul da Itália e fundamenta-se em um forte sentido de família e voto de silêncio que impede cooperar com autoridades policiais ou judiciárias, seja em direta relação pessoal como quando fatos envolvem terceiros.