O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não tem garantido mais recursos para o setor na Capital, comandada pelo primo Marquinhos Trad (Foto: Agência Brasil)

A indicação do médico sul-mato-grossense Luiz Henrique Mandetta para o Ministério de Saúde por Jair Bolsonaro (PSL) ainda não se transformou em bom negócio para Campo Grande, que continua sendo preterida em relação a centenária Cuiabá (MT). Como ministro da Saúde, ele reduziu em 81%, de R$ 6 milhões para R$ 1,1 milhão, o repasse ao Hospital do Trauma, que continua funcionando parcialmente.

Por outro lado, o ex-secretário municipal de Saúde de Campo Grande e primo do prefeito Marquinhos Trad, do senador Nelsinho Trad e do deputado federal Fábio Trad, todos do PSD, já anunciou a liberação de R$ 98 milhões para hospitais da capital do Mato Grosso. O primeiro aporte foi de R$ 50 milhões em março para a Santa Casa, que estava fechada. O segundo é de R$ 48 milhões para o custeio do Hospital Municipal de Cuiabá.

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Enquanto isso, os doentes vivem a agonia da espera em decorrência do Hospital do Trauma, inaugurado em março do ano passado, seguir parcialmente fechado. As cinco salas de cirurgia estão desativadas, enquanto 50 pacientes estão internados na Santa Casa a espera de cirurgia de urgência. O número é três vezes acima do normal, que seria de 18 doentes.

De acordo com o Ministério Público Federal, em maio deste ano, 11.092 doentes aguardam na fila por cirurgia em Mato Grosso do Sul. Deste total, 3.535 são da área de ortopedia, a área atendida pelo Hospital do Trauma. Outros 3.112 precisam de atendimento em decorrência de problema nos joelhos.

A expectativa de que a posse de Mandetta no cargo de ministro melhoraria a situação do sul-mato-grossense não se confirmou. Conforme o MPF, documento assinado por Carlos Marun, quando era ministro da Secretaria de Governo na gestão de Michel Temer (MDB), previa o repasse de R$ 6 milhões pela União.

Empossado no dia 1º de janeiro deste ano, Mandetta não cumpriu o acordo e ainda reduziu o repasse para R$ 1,1 milhão por mês. O dinheiro só é suficiente para custear 34 dos 110 leitos do Hospital do Trauma.

Cansada de tentar solucionar o problema administrativamente e por meio de incontáveis reuniões, a procuradoria da República ajuizou ação civil pública para obrigar o Governo federal a repassar R$ 4,8 milhões por mês para o Hospital do Trauma (veja aqui).

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) vem cumprindo o acordo ao garantir o aporte de R$ 1,7 milhão.

Ao longo de 16 anos, o hospital custou R$ 22,5 milhões aos cofres públicos, conforme a assessoria do MPF. Contudo, apesar de todos os equipamentos novinhos, a unidade segue parcialmente fechada por falta de repasse.

Por outro lado, a situação dos moradores de Cuiabá sensibilizou mais o ministro. Em março deste ano, Mandetta anunciou a liberação de R$ 50 milhões para pagar os salários dos funcionários da Santa Casa, que não recebiam há seis meses. Para forçar o Governo federal a ajudar, a direção fechou as portas.

O ministro retornou à capital do Mato Grosso em abril para anunciar mais R$ 48 milhões para o Hospital Municipal de Cuiabá, com 621 leitos. Em uma das manifestações, Mandetta teria dito, conforme registro feito pelos sites mato-grossenses, de que “dinheiro não é problema”. Ele também teria dito que não aguenta ver hospital fechado.

Infelizmente, o ministro não tem demonstrando a mesma sensibilidade para ajudar Campo Grande. Pelo contrário, a cidade perdeu recurso com a posse do filho ilustre no comando do Ministério da Saúde, fazendo prevalecer o ditado popular de que “santo de casa não faz milagre”.

Outra triste constatação é de que a bancada federal do Mato Grosso continua tendo mais força do que a sul-mato-grossense.