Prefeito ficou incrédulo, segundo Midiamax, com pesquisa da CDL que apontou fechamento de 1,5 mil empresas na região central (Foto: Arquivo/Marcos Ermínio/Midiamax)

Incrédulo e chocado com a pesquisa da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), que aponta a agonia da região central com a obra milionária de revitalização da Rua 14 de Julho, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) levou 24 horas para reagir. Em nota divulgada nesta quinta-feira (21), ele defende as obras do Reviva Centro como fundamental para evitar o “esvaziamento” e a “falência” do comércio na região central.

“É notório e público que a infraestrutura existente na região central estava obsoleta, não fazendo frente à competitividade das novas centralidades, centros comerciais e shoppings que atuam em Campo Grande, sendo de suma importância interferir na região visando sua melhoria”, diz o município, em nota distribuída na tarde de hoje.

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“O Programa Reviva Campo Grande, incluindo a obra da Rua 14 de Julho, foi concebido para, justamente, reverter o processo de degradação, falência e esvaziamento que o centro da cidade já vinha sofrendo, modernizando sua infraestrutura”, ressalta.

Levantamento da CDL mostra que 1.505 empresas fecharam entre abril do ano passado e março deste ano no quadrilátero formado pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa, Mato Grosso, Calógeras e Pedro Celestino. As empresas sentem o impacto das intervenções no trânsito, que ficou mais moroso.

Só de empregos, conforme a entidade, foram 7,5 mil vagas fechadas no período. Além disso, repercutiu negativamente o aditivo na obra, que passará de R$ 49,2 milhões para R$ 61,2 milhões. Ou seja, o desconto de 15% vai sumir e o contribuinte vai pagar mais caro pela intervenção na 14 de Julho.

Para rebater os dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas, a prefeitura destaca que só existem 242 empresas na via em obra. Antes do início do projeto, 28 já estavam fechados. O município não aponta quantas lojas fecharam as portas desde o começo das obras. Cita, de forma genérica, dados da Junta Comercial, de que a média de fechamento equivale a 10% das empresas.

Monumental obra na 14 de Julho vem causando polêmica entre lojistas, motoristas e o prefeito da Capital (Foto: Arquivo)

Confira a nota na íntegra:

Nota de esclarecimento

“Sempre agindo com transparência nas informações relativas ao Programa Reviva Campo Grande, a Prefeitura Municipal vem a público esclarecer alguns pontos levantados nas últimas reportagens sobre uma pesquisa divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas, a respeito do fechamento de comércios na região central da cidade e a extinção de postos de trabalho.

É notório e público que a infraestrutura existente na região central estava obsoleta, não fazendo frente à competitividade das novas centralidades, centros comerciais e shoppings que atuam em Campo Grande, sendo de suma importância interferir na região visando sua melhoria.

O Programa Reviva Campo Grande, incluindo a obra da Rua 14 de Julho, foi concebido para, justamente, reverter o processo de degradação, falência e esvaziamento que o centro da cidade já vinha sofrendo, modernizando sua infraestrutura.

É injusto, portanto, atribuir a efetivação dos trabalhos ao fechamento dos comércios, sendo que este já era um fenômeno em expansão muito antes da obra ser iniciada. A referida pesquisa, elaborada pelo departamento de varejo e pesquisa da CDL, claramente não condiz com os números oficiais de órgãos que trabalham com dados relativos à abertura e fechamento de empresas. A metodologia da pesquisa justificada pela assessoria da CDL foi que o levantamento foi feito de porta em porta.

Entretanto, os resultados impressionam, uma vez que, caso a obra da Rua 14 de Julho impactasse todo o comércio ali instalado, o número de fechamento não seria superior a 242 empreendimentos localizados na via, conforme cadastro censitário realizado no início das obras.

Antes mesmo das obras começarem, inclusive, já existiam 28 estabelecimentos fechados, de acordo com o levantamento.

Além disso, dados da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul apontam que, entre dezembro de 2017 e dezembro 2018, o índice de fechamento de empresas foi em média de 10%

.A Prefeitura tem acompanhado de perto essa situação e já constatou também que muitas portas estão fechadas enquanto seus proprietários se preparam para reformar o prédio e, assim, apresentar um comércio mais moderno e atrativo quando da entrega da requalificação da via.Sabemos que o início das obras coincidiu com uma crise acentuada em todo o país, e que isso tem causado prejuízos a todo o comércio varejista de Campo Grande.

A Prefeitura é sensível a essa situação e se preocupa em estimular as compras na Rua 14 de Julho nesse período delicado de obras.Também reforçamos que a obra não está atrasada, como divulgado em alguns canais de comunicação.

O prazo para finalizar os serviços é março de 2020, mas a intenção é entregar a rua requalificada até dezembro de 2019, ou seja, antes do prazo. Informa-se ainda que o Programa Reviva Campo Grande não engloba apenas a Rua 14 de Julho, mas as transversais, o projeto de habitação no centro, entre outras ações.

O Programa Reviva Campo Grande foi amplamente discutido em audiências públicas e reuniões com comerciantes e representantes da sociedade, antes de ser iniciado. Além disso, tem o apoio técnico do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento – desde o início, uma instituição séria e conceituada que prima pelo desenvolvimento de regiões.