Prefeito confere as obras do Reviva Centro, que deve ser inaugurada e ser uma das vitrinas da disputa pela reeleição (Foto: Arquivo)

Com o término das eleições estaduais, os partidos já estão de olho na sucessão municipal e prometem investir pesado em Campo Grande, maior colégio eleitoral. A disputa não deve fácil para o prefeito Marquinhos Trad (PSD), que deverá disputar a reeleição, e corre o risco de enfrentar uma espécie de “liga da Justiça”, considerando-se os adversários colocados, que inclui um capitão do Exército, um procurador de Justiça e um juiz federal.

Apesar do acordo com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que contou com o aval da família Trad para ser reeleito, os tucanos podem lançar candidato próprio. Deputada federal mais votada no ano passado, com 120 mil votos, Rose Modesto (PSDB) sonha ser candidata a prefeita da Capital de novo. Em 2016, ela perdeu no segundo turno para  o atual prefeito.

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Outro campeão de votos, o deputado estadual Renan Contar, conhecido como Capitão Contar (PSL), não descarta ser candidato do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em 2020.

“Se for o desejo da população. Seria uma honra para mim (Sic) poder estar à frente da cidade que acolheu a mim e minha família”, afirmou em entrevista ao programa Noticidade, da FM Cidade. “Se o meu nome estiver na ponta da língua das pessoas, por que não? Militar que vai à guerra e tem medo de combate é covarde”, afirmou o deputado, que foi o campeão de votos e surpreendeu muito político tradicional nas urnas.

O resultado de 2018 é o principal incentivo para o procurador Sérgio Harfouche (PSC), que não levou o Senado, mas foi o mais votado na Capital, superando, inclusive, Nelsinho Trad (PSD), irmão de Marquinhos.

Com a carreira ilibada no Ministério Público e focado na educação de crianças e adolescentes, Harfouche aposta no desejo de parte do eleitorado em apostar nos neófitos. Em entrevista à CBN, ele já deu o tom do discurso, colocando Marquinhos como representante da “velha política”.

Harfouche já derrotou Nelsinho em Campo Grande em 2018 e mira o irmão na sucessão municipal: ele diz que quer derrotar a “velha política” (Foto: Arquivo)

Outro animado com a votação expressiva em 2018 é o juiz federal Odilon de Oliveira (PDT), que chegou ao segundo turno na primeira disputa do cargo de governador. No entanto, para ter chance, o magistrado deve ter mais habilidade política e não repetir os erros cometidos na campanha passada.

Mesmo estraçalhado, o MDB não se considera fora do páreo e pode apostar as fichas na senadora Simone Tebet , que ganhou os holofotes da mídia nacional ao enfrentar Renan Calheiros (MDB).

O partido ainda tem o ex-governador André Puccinelli, cuja gestão marcou a Capital e deixou uma legião de saudosistas. No entanto, dois anos é muito tempo para o emedebista, que está a Polícia Federal, Ministério Público e a Justiça no calcanhar. A Operação Lama Asfáltica, que o acusa de integrar organização criminosa responsável pelo desvio de mais de R$ 432 milhões dos cofres estaduais, pode ter um desfecho, apesar da morosidade da Justiça federal sul-mato-grossense.

Caso seja inocentado, o ex-governador se torna imbatível na disputa, inclusive contra a “liga da Justiça”.

O ex-governador e ex-deputado federal Zeca do PT pode voltar a disputar a prefeitura após 24 anos. Sem mandato, o petista terá a opção de garantir um mandato de vereador ou focar na estratégia de reconstruir o PT na Capital, já que a sigla nunca mais conseguiu repetir o fenômeno de 1996, quando ele perdeu no segundo turno por 411 votos para Puccinelli e se capitalizou para disputar o Governo e ganhar em 1998.

Marquinhos deverá repetir a mesma estratégia de Reinaldo, de só admitir a candidatura à reeleição no início do segundo semestre de 2020.

O prefeito vai apostar em duas obras de vulto. A mais cara é o Reviva Centro, que foca na revitalização de apenas uma rua no Centro, a 14 de Julho, e deve ser inaugurada próxima do pleito.

A segunda será a revitalização da Avenida Ernesto Geisel, que foi reduzida para um terço do idealizado pelo irmão, Nelsinho Trad.

No entanto, Marquinhos acumulará desgaste com a criação da taxa do lixo e o transporte coletivo caro e ruim. O prefeito não conseguiu concluir nem um corredor de ônibus, que teve a obra iniciada ainda na gestão de Alcides Bernal (PP). O fim da tarifa mínima de água foi uma proposta cumprida, mas a conta será paga pelo consumidor final.

O prefeito vai precisar de boa política de alianças para garantir a reeleição e não repetir a trajetória de Bernal, que não conseguiu ser reeleito.

Capitão Contar pode ser o nome do PSL e de Bolsonaro para disputar a prefeitura da Capital em 2020 (Foto: Arquivo)

Apesar da torcida dos políticos por um eleitorado mais apático, as eleições de 2020 prometem ter um eleitor ainda mais indignado com as denúncias de corrupção, disposto a dar susto com a abertura das urnas, repetindo fenômenos registrados em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.