Moka tem direito a aposentadoria especial após oito anos como senador. (Foto: Arquivo)

Reprovado nas urnas nas eleições do ano passado, Waldemir Moka (MDB) não vai ficar mais pobre a partir deste ano. Após oito anos como senador da República, ele terá direito a aposentadoria especial, que pode chegar a R$ 33.763 – quase seis vezes ao valor do teto do trabalhador imposto pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

É mais um ato legal, que só contempla os políticos e causa espanto no contribuinte, punido pelo desequilíbrio nas finanças públicas e pelo déficit da previdência. A nova mamata foi revelada nesta terça-feira pelo O Estado de São Paulo.

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Conforme o jornal paulista, 141 parlamentares terão direito à aposentadoria especial. Entre os quais estão 26 senadores que perderam a eleição e vão continuar sendo sustentados pelos cofres públicos.

A concessão da aposentadoria especial contempla senadores de todos os partidos, entre os quais estão o atual presidente do Senado, Eunício de Oliveira (MDB), o líder do Governo no Congresso, Romero Jucá, um dos principais defensores de Jair Bolsnaro, Magno Malta (PR) e os petistas Jorge Viana e Lindbergh Farias.

A festa do eleitor foi curta neste ano. Apesar de reprovados nas urnas, os senadores vão continuar sendo beneficiados pelos cofres públicos. E o pior, o Governo ainda estuda medidas amargas contra o trabalhador para reduzir o déficit previdenciário e dificultar a concessão da aposentadoria.

O sul-mato-grossense está na política há 36 anos, que inclui três mandatos como deputado federal e um como senador. Só em Brasília, Moka está há 20 anos.

Ele foi defensor da polêmica gestão de Michel Temer (MDB) e votou contra a cassação do mandato do senador Aécio Neves (PSDB), flagrado pedindo R$ 2 milhões e defendendo até assassinato para evitar delação premiada.

Moka pode ser beneficiado com aposentadoria de até R$ 33,7 mil – o salário integral.

No entanto, em entrevista ao Campo Grande News, o senador negou que vá ter direito ao benefício integral. “Se eu requerer vai representar um pagamento entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. Direito tenho, mas tenho de ver se farei essa opção. Também pago o INSS. Mas devo optar ou por um ou por outro”, prometeu.

Mesmo que seja R$ 7 mil, o valor será superior ao pago aos trabalhadores da iniciativa privada, que só podem receber até R$ 5.645 por mês.

Não deixa de ser mais um exemplo dos políticos brasileiros, que impõe uma regra mais rigorosa aos eleitores e benefícios mais generosos para si mesmos.

O Brasil só vai mudar quando o político brasileiro passar a viver no mesmo país que os seus eleitores. Não tem outro milagre.