Coringa se compara ao ex-presidente Juscelino Kubitschek e promete fazer quatro anos em um mês. JK fez 50 anos em cinco e deixou marcos, como Brasília (Foto: Divulgação)

A farra com o dinheiro público não tem limites para os deputados federais, que assumiram no recesso e terão mandato relâmpago. Apesar de o legislativo estar de recesso, não analisar nem votar nenhum projeto, eles não perderam a oportunidade e nomearam 24 assessores, com salário de até R$ 15.698.

Outra novidade nababesca do parlamento brasileiro é o “assessor tampão”, já que só irá permanecer no cargo entre 21 e 24 dias. Além dos empregados temporários para datas especiais no comércio, a política brasileira produz outra lenda, que custa caríssimo aos cofres públicos, o assessor de deputado tampão.

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Na prática, toda a despesa será paga pelo contribuinte, que vem sendo esfoliado pela suposta crise nas finanças públicas. Conforme os políticos, falta dinheiro para a saúde, educação, segurança pública, cultura, infraestrutura e todo que possa melhorar a vida do brasileiro.

Só não falta para manter o sonho de consumo da classe política. Nos dias 2 e 3 de janeiro deste ano, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), deu posse a quatro novos deputados de Mato Grosso do Sul, que vão “exercer” o mandato até 31 deste mês.

Além do mandato relâmpago custar quase R$ 80 mil, já desconsiderando o auxílio mudança de R$ 33.763 (que só é pago para quem permanecer mais tempo), os novos deputados não tiveram dó dos cofres públicos. Pela regra do legislativo, eles podem gastar até R$ 111.675 por mês com salários de assessores. Podem nomear 25 funcionários com salários entre R$ 1.025 e R$ 15.698,32.

Coronel Bittencourt nunca conseguiu se eleger e aproveitou o mandato relâmpago para nomear 11 assessores – que vão trabalhar nas férias do legislativo. Na fotografia acima, ele se reuniu com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (Foto: Divulgação)Ex-coordenador da Defesa Civil, o pastor e coronel Isaías Bitttencourt (PRB) decidiu aproveitar a primeira (ou única?) oportunidade como ocupante de cargo eletivo e nomeou 11 assessores (veja aqui), conforme o Porta da Transparência da Câmara. Cinco funcionários vão “trabalhar” apenas 20 dias, já que as nomeações foram publicadas no dia 10.

O mais notório dos deputados relâmpagos, Junior Coringa (PSD) emplacou nove assessores (veja aqui) e até foi destaque da imprensa nacional. Ao Estadão, ele disse que os servidores vão trabalhar em Campo Grande e vão ouvir a população.

Carla Stephanini (MDB) contratou apenas quatro funcionários para o recesso do legislativo (veja aqui). A última funcionária foi nomeada hoje e terá metade do salário, considerando-se a publicação no portal do legislativo nesta segunda-feira (14).

“No  curto período em que ficarão lotados nos gabinetes, os assessores não terão muito o que fazer, pois a Câmara estará de recesso, sem atividades ou votações em plenário e em comissões. A maioria dos deputados está fora de Brasília. Nesta época, é comum parlamentares darem férias para os funcionários e manterem a estrutura mínima na Casa para serviços como atendimento ao público”, descreve o jornal paulista, sobre as nomeações dos assessores relâmpagos.

Eles vão ter direito ao salário, 13º e férias proporcionais aos dias trabalhados e mais os benefícios, como auxílio alimentação e auxílio transporte.

Fábio Trad (PSD), que estava desde dezembro de 2017 e se tornou titular definitivo com a renúncia de Carlos Marun (MDB), manteve os 17 assessores nomeados há mais de ano.

O mais hilário – e que explica porque um País com tanta beleza e riqueza como o Brasil é pobre – é que tem gente que ainda defende essa mamata. Em países civilizados, o parlamentar tem noção de que é um servidor do povo e vive nas mesmas condições dos seus eleitores.

A situação brasileira só vai mudar quando o político deixar de usar o mandato para viver como rei enquanto o povo trabalha como escravo para manter a mamata.