Reinaldo anunciou o novo secretariado ao lado de Riedel, que terá mais poderes no segundo mandato (Foto: Bruno Henrique/Correio do Estado)

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) manterá seis secretários e trocará cinco integrantes do primeiro escalão para o segundo mandato. Um dos principais articuladores políticos do Governo, Carlos Alberto Assis, será rebaixado para a condição de sub na supersecretaria de Governo. Já o senador Pedro Chaves, expulso do PRB, não conseguiu a criação de nova agência e terá a opção, como consolo, comandar o escritório do Governo em Brasília.

O casal Hashioka não conseguiu votos para Dione retornar à Assembleia Legislativa, mas conseguiu emplacar Roberto no primeiro escalão. Por outro lado, a deputada estadual Mara Caseiro (PSDB) deve mesmo perder o mandato, derrotada nas urnas, tinha a esperança de permanecer na Assembleia com a nomeação de deputado na secretaria.

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Mais sorte teve a viúva do prefeito de Corumbá, Bia Cavassa (PSDB), que ficou como segunda suplente, mas assumirá o mandato na Câmara dos Deputados graças as nomeações de Tereza Cristina (DEM), para o Ministério da Agricultura pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), e de Geraldo Resende (PSDB) para a Secretaria Estadual de Saúde. Corumbá volta a ter um representante no legislativo federal depois de 28 anos.

Investigado no Supremo Tribunal Federal por suposto recebimento de propina denunciado na Operação Uragano, da Polícia Federal, Resende não conseguiu ser reeleito para o quinto mandato. Agora, o tucano vai substituir Carlos Coimbra na Secretaria Estadual de Saúde, cargo que ocupou na gestão de Zeca do PT entre os anos 2000 e 2002 quando era do PPS e o projetou na política estadual.

Resende espera repetir a estratégia, mas para conquistar a prefeitura de Dourados em 2020. Ele está de olho na vaga de Délia Razuk (PR), que vem realizando administração marcada por crises e escândalos de corrupção.

Resende, investigado na Operação Uragano no STF, volta a ter o mesmo cargo que teve na gestão de Zeca do PT (Foto: Arquivo)

O ex-prefeito de Dourados, Murilo Zauith (DEM), vai comandar uma das principais pastas no segundo mandato de Reinaldo, a de Infraestrutura. Ex-deputado federal e vice-governador figurativo na gestão de André Puccinelli (MDB), o democrata terá visibilidade para realizar o sonho de ser senador ou até disputar a sucessão de Reinaldo em 2022.

Murilo foi eleito vice-governador nas eleições deste ano e pode até assumir o Governo, dependendo do resultado do julgamento da Operação Vostok no Superior Tribunal de Justiça, que apura o suposto pagamento de R$ 67 milhões em propinas a Reinaldo. O tucano nega ter recebido vantagens e aposta que será absolvido, como ocorreu na denúncia feita pelo empresário José Alberto Berger, do curtume Braz Peli, no Fantástico. O STJ arquivou a denúncia por unanimidade.

Roberto Hashioka assumiu o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) em agosto do ano passado, quando o então presidente, Gerson Claro, foi preso na Operação Antivírus, do Gaeco. Os eleitores de Mato Grosso do Sul ignoraram as suspeitas e elegeram Gerson deputado estadual.

Hashioka caiu nas graças do governador com o trabalho realizado no Detran e vai assumir a Secretaria Estadual de Administração e Desburocratização. Sempre presente nas campanhas de Reinaldo, Assis perde o status de secretário e passará a ser comandado por Eduardo Riedel, que permanece na Secretaria de Governo, mas com status de supersecretaria. A pasta terá nove subsecretarias a partir de 2019.

Felipe Mattos vai chefiar o fisco, cargo sempre ocupado por homens de confiança do governador (Foto: Arquivo)

Assis vai ficar como articulador político na Capital. O atual secretário de Administração tem o projeto de ser prefeito de Campo Grande. Agora, ele terá dificuldade para convencer o eleitor de tem condições de comandar o município após perder o comando de uma secretaria. Sem cargo no primeiro escalão e sem mandato, pode enfrentar problemas até para emplacar como candidato a vice-prefeito na chapa de Marquinhos Trad (PSD).

Reinaldo confirmou a indicação do advogado Felipe Mattos de Lima Ribeiro, que foi seu consultor legislativo, para comandar a Secretaria de Fazenda. O chefe do fisco sempre foi um quadro da estrita confiança do governador.

Fabíola Marquetti assume a PGE no lugar de Adalberto Miranda (Foto: Arquivo)

Outra mudança será a nomeação de Fabíola Marquetti Sanches Rahim no lugar de Adalberto Neves Miranda no comando da Procuradoria-Geral do Estado.

Depois de realizar três trocas no primeiro mandato, Reinaldo decidiu manter o delegado aposentado Antônio Carlos Videira na Secretaria de Justiça e Segurança Pública. O desafio continua o de reduzir o número de crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos, e conter a guerra entre facções, que vem impondo terror na fronteira e até na Capital.

Duas pastas estratégicas podem ter os mesmos titulares por oito anos e manter uma política de longo prazo. Maria Cecília Amendola da Motta vai continuar na Secretaria de Educação, onde o principal desafio é quase eterno, reduzir a evasão no ensino médio, e dar melhor estrutura para as escolas estaduais.

Jaime Verruck vai permanecer no comando da Semagro, a supersecretaria que reúne as pastas do Planejamento, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento. A manutenção da política de incentivos fiscais – abalada pelos escândalos envolvendo os últimos três governadores – e a geração de empregos devem continuar entre as prioridades.

Substituta da vice-governadora Rose Modesto (PSDB), quando deixou o cargo para ser candidata a prefeita da Capital, Elisa Nobre continuará no comando da Secretaria de Assistência Social e do Trabalho.

Carlos Eduardo Girão de Arruda é o sexto integrante a continuar no cargo como controlador-geral do Estado.

O governador não conseguiu criar uma agência de desenvolvimento para acomodar Pedro Chaves, que desistiu da reeleição. O senador esperava ser contemplado com cargo por ter abandonado a campanha do juiz Odilon de Oliveira (PDT) depois de convencer os companheiros a trocar a campanha tucana pelo pedetista.

Chaves só terá uma opção, chefiar o escritório do Estado em Brasília. Idealizado por Zeca do PT para acomodar aliados, o escritório parece que não deve mudar muito de função. Oficialmente, o Governo alega que a missão é agilizar os projetos de interesse do Estado na capital federal.

Pedro Chaves abriu mão de tentar o Senado e ficará com cargo de consolo (Foto: Arquivo)

Os novos secretários

Secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica

  • Permanece: Eduardo Corrêa Riedel

Secretário de Estado de Fazenda

  • Sai: Guaraci Luiz Fontana
  • Entra: Felipe Mattos de Lima Ribeiro

Secretário de Estado de Administração e Desburocratização

  • Sai: Carlos Alberto Assis
  • Entra: Roberto Hashioka

Secretária de Estado de Educação

  • Permanece: Maria Cecília Amendola da Motta

Secretário de Estado de Saúde

  • Sai: Carlos Alberto Moraes Coimbra
  • Entra: Geraldo Resende

Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública

  • Permanece: Antônio Carlos Videira

Secretária de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho

  • Permanece: Elisa Cleia Pinheiro Rodrigues Nobre

Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar

  • Permanece: Jaime Elias Verruck

Secretário de Estado de Infraestrutura

  • Sai: Helianey Paulo da Silva
  • Entra: Murilo Zauith

Secretaria de Estado de Cultura e Cidadania

  • Sai: Athayde Nery de Freitas Júnior
  • Extinta