Deputado usou a cota parlamentar para pagar frete aéreo para empresa que teria lhe sido gentil e feito voos de graça na campanha (Foto: Arquivo)

O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) usou verba da Câmara dos Deputados para pagar 11 fretes de empresa área de amigo e citada na delação premiada da JBS. A revelação contra o futuro ministro da Saúde, confirmado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), consta de reportagem de Lúcio de Castro, da agência de jornalismo investigativo SportLight (clique aqui).

Na quinta-feira, o jornal O Globo já tinha revelado que a Telemídia, investigada no “Escândalo Gisa”, pagou diversos voos para ele fazer a campanha eleitoral em 2010, quando disputou a eleição de deputado federal pela primeira vez.

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Agora, conforme a SportLight, Mandetta usou verba da cota parlamentar para beneficiar a Amapil Táxi Aéreo. Entre dezembro de 2014 e maio deste ano, o democrata pagou R$ 128.257,50 para a empresa, que é acusada pela JBS de emitir notas fiscais frias para justificar o pagamento de propina para governadores de Mato Grosso do Sul.

Na delação premiada homologada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, os irmãos Joesley e Wesley Mendonça, donos da JBS, apresentaram notas frias emitidas pela Amapil, que totalizaram R$ 168,1 mil.

A relação das notas, que a JBS diz serem frias, emitidas pela Amapil (Foto: Reprodução)

Mandetta pagou 11 fretes à companhia de táxi aéreo regional nos últimos quatro anos. Ele usou verba da Câmara para pagar pelo fretamento no mesmo período em que usou passagens aéreas pagas pelo contribuinte.

Em um caso, o deputado pagou R$ 5.775 para a Amapil pela viagem de Campo Grande a Corumbá. De acordo com a SportLigth, o mesmo percurso de avião de carreira custaria R$ 1.507. na prática, como o dinheiro é público, Mandetta acabou optando em pagar 283% mais caro.

Em janeiro deste ano, o parlamentar usou nove passagens aéreas pagas pelo parlamento. No mesmo período, pagou R$ 13,6 mil por dois fretes aéreos.

Não é a primeira polêmica envolvendo o deputado e a Amapil. Na quinta-feira, o jornal O Globo revelou detalhes do inquérito contra o deputado em que é acusado de fraude em licitações e peculato na implantação fracassada do Gisa, que causou prejuízo de R$ 14 milhões à prefeitura da Capital.

Nos meses de junho e julho de 2010, a Telemídia, que é acusada de ter sido favorecida pelo então ex-secretário municipal de Saúde de Campo Grande, pagou R$ 21 mil em voos fretados para  Amapil Táxi Aéreo.

O futuro ministro da Saúde confirmou a utilização das aeronaves. De acordo com o deputado, ele pediu para o irmão de Emersom Belaus de Carvalho Pereira, sócio da companhia, para usar o avião e ele usava. Parte da conta foi paga pela Telemídia, beneficiada pelo suposto esquema criminoso no município.

“Aí é uma questão ligada lá com a Amapil. Na época, eu solicitava muito os voos para o irmão do proprietário. Ele falava ‘pode usar, não tem problema’. E a gente usou nessa fase de pré-campanha”, contou o democrata ao jornal carioca.

“Quando eu deixei a secretaria, eu me relacionei com a Amapil. Tinha um médico que era irmão do proprietário e era por meio dele que eu pedia (os voos). Paguei alguns para a Amapil, alguns foram amigos que me deram. Na época, não havia muita normatização. Viajei de carona, viajei dando gasolina e o cara dando o avião e o piloto”, justificou Mandetta.

Sobre a acusação publicada pela agência nesta segunda-feira, o deputado ainda não se manifestou.

A Amapil negou ter emitido notas fiscais frias para a JBS, conforme nota da empresa divulgada em maio do ano passado. Sobre o uso de cota parlamentar para pagar frete aéreo, não houve manifestação até o momento.