Juiz Alexandre Antunes da Silva vem agilizando o julgamento dos militares presos na Operação Oiketicus (Foto: Arquivo)

A Justiça marcou o julgamento do tenente coronel Admilson Cristaldo Barbosa, acusado de chefiar de chefiar a organização criminosa formada por policiais militares para dar apoio à Máfia do Cigarro. Denunciado por ostentar vida de luxo e preso desde 16 de maio deste ano, o ele não conseguiu reaver nove relógios importados e três telefones celulares.

O oficial é réu em duas ações penais na Auditoria Militar. No processo por organização criminosa, o julgamento foi marcado para o dia 20 deste mês, às 13h45, pelo juiz Alexandre Antunes da Silva. O caso tramita em sigilo, mas a data da audiência foi publicada no Diário da Justiça.

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Conforme denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), tenente coronel integrava organização criminosa formada por 28 policiais militares. Eles davam cobertura ao contrabando de cigarro do Paraguai.

Como comandante do Batalhão de Jardim, Admilson é acusado de receber R$ 30 mil por mês dos cigarreiros. A suposta propina tinha o objetivo de garantir a tranquilidade aos criminosos na região que abrangia os municípios de Caracol, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

Graças a quebra do sigilo bancário e fiscal do militar, o Gaeco constatou gastos extraordinários.

Com salário de R$ 22 mil por mês, o tenente coronel tinha vida nababesca, como pagar R$ 8 mil por duas diárias em hotel cinco estrelas no Rio de Janeiro, comprar um wisky de R$ 1,4 mil ou torrar R$ 25.780 em roupas importadas na loja Prada.

Em janeiro deste ano, conforme a denúncia, Admilson gastou R$ 10,3 mil em um tour na motocicleta BMW – que custou R$ 85,3 mil com acessórios – por vários países, como Bolívia, Colômbia, Panamá, Honduras, México e Estados Unidos.

A vida de ostentação ainda inclui ainda uma banheira de R$ 28 mil, bicicleta Specialized Stumpjumper FSR de R$ 11 mil e Jeep Grand Cherokee de R$ 210 mil.

A Operação Oiketicus, deflagrada contra a corrupção na PM em maio, apreendeu vários documentos, telefones, notebooks e outros produtos.

Preso desde 16 de maio, militar recebeu salário líquido de R$ 15,4 mil no mês passado, conforme Portal da Transparência

Essas apreensões revelaram, por exemplo, a ligação de Admilson com a presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges. Ele estava com um cheque de R$ 165 mil da magistrada.

Conforme denúncia veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, o tenente coronel teria um caso amoroso com a desembargadora, que vai assumir a presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul a partir de janeiro.

 

A reportagem da emissora carioca revelou que o tenente coronel e a magistrada estariam envolvidos em suposta venda de sentença no TJMS. Outro envolvido no esquema, o advogado Dênis Peixoto Ferrão Filho, emitiu três notas promissórias de R$ 450 mil para o militar, que também foram apreendidas. Os acusados negaram qualquer irregularidade na ocasião, mas Dênis foi exonerado do TCE.

No mês passado, os advogados de Admilson, Rui e Ivan Gibim Lacerda pediram a restituição dos documentos e produtos apreendidos. Só em uma caixa, o tenente coronel tinha nove relógios importados das mais diversas marcas, como Diesel, Tommy, Boss e Armani.

A defesa alegou que os produtos poderiam ser devolvidos porque as apreensões ocorreram há mais de 80 dias e não houve pedido de perícia ou análise por parte do MPE.

O juiz argumentou que somente os três telefones celulares estão anexados aos autos.

Antes de ser preso, tenente coronel Admilson tinha vida incompatível com a renda, segundo o Gaeco (Foto: Arquivo)

“Assim, considerando a natureza dos materiais apreendidos – em sua grande maioria documentos – cujo conteúdo ainda estão sendo analisados, nos termos do artigo 190 e 191 do Código de Processo Penal Militar, estes não poderão ser liberados, uma vez que evidentemente ainda interessam ao processo, o que torna inviável, neste momento, sua restituição”, afirmou o magistrado.

“No tocante aos relógios apreendidos, estes ainda interessam às investigações, vez que se for comprovado constituírem proveito do crime, poderá ser decretado o perdimento destes bens”, determinou Antunes. Na internet, os preços dos relógios variam de R$ 250 a R$ 1,5 mil.

Sobre o caso do cheque, a desembargadora afirmou, na época da divulgação, de que se trata da venda de um veículo para o militar.

Interceptações telefônicas ainda revelaram que o tenente coronel seria indicado pela desembargadora para assumir a segurança do Tribunal de Justiça em janeiro. Após prisão de Admilson e a divulgação das conversas, a presidente do TRE já antecipou que não deverá trocar mais a chefia da segurança.

Sobre as conversas, ela destacou que o militar tinha conduta exemplar. Realmente, antes da operação, o oficial tinha condecorações e homenagens feitas por vários órgãos e autoridades.