Trabalhadores enfrentaram fila para conseguir emprego no ano passado em frigorífico (Foto: Arquivo/Região News)

O desemprego continua sendo um problema grave para o sul-mato-grossense. Levantamento do IBGE, divulgado nesta quinta-feira, revelou que falta trabalho para 355 mil pessoas em Mato Grosso do Sul. No País, o problema atinge 27,6 milhões de brasileiros, conforme a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

No entanto, considerando-se os desempregados e pessoas fora do mercado de trabalho, o problema atinge 825 mil sul-mato-grossenses. Este total inclui 106 mil desempregados, trabalhadores que estão à procura de emprego, e 719 mil pessoas fora da força de trabalho.

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Conforme o levantamento, o índice de desemprego teve redução no Estado, de 8,9% para 7,6% entre junho do ano passado e o mesmo período deste ano.

No entanto, os dados não mostram que a situação do trabalhador melhorou. O número de empregados teve aumento de 1,85%, de 897 mil para 914 mil. O indicativo negativo é de que a quantidade de pessoas sem carteira teve crescimento maior, de 2,91%, de 137 mil para 141 mil.

Mais expressivo ainda foi o aumento no número de trabalhadores domésticos, de 10,4%, de 96 mil para 106 mil. O mais grave ainda é que o total de funcionários domésticos sem carteira cresceu 18,33%, de 60 mil para 71 mil, conforme o IBGE.

Isso pode ser reflexo da Reforma Trabalhista, com um número maior de trabalhadores sem direito a férias, 13º salário, FGTS e cobertura previdenciária.

O número de pessoas trabalhando por conta também cresceu acima da média, 5,14%, de 272 mil para 286 mil.

De acordo com o IBGE, houve queda de 3,92% na renda média dos trabalhadores com carteira, de R$ 1.932 para R$ 1.859. Isso significa que as empresas estão optando por profissionais menos qualificados e com salários menores.

Por outro lado, a renda dos empregados sem registro em carteira cresceu 2,79%, de R$ 1.393 para R$ 1.432.

O desemprego é um dos principais problemas a ser combatido pelo próximo governador de Mato Grosso do Sul. Reinaldo Azambuja (PSDB) não só admite o problema, como responsabiliza a crise econômica brasileira pelo resultado.

A precarização nas condições de trabalho é citado por dois candidatos, Humberto Amaducci (PT) e João Alfredo (PSOL). Eles culpam a política do presidente Michel Temer (MDB), que aprovou a Reforma Trabalhista e impôs teto nos gastos públicos pelos próximos 20 anos.

A seguir, as propostas contra o desemprego, conforme a ordem publicada pelo TSE:

Humberto Amaducci (PT)

– Crítico da precarização das condições de trabalho, o petista promete priorizar empreendimentos locais geradores de emprego e diversificar a cadeia produtiva. Quer priorizar as indústrias de pequeno porte.

João Alfredo (PSOL)

Vai estimular novos investimentos públicos e privados nos setores estratégicos, micro e pequenas empresas e incentivar a criação de cooperativas. Também promete garantir políticas de formação e emprego para mulheres, transexuais e travestis.

Juiz Odilon de Oliveira – da coligação “Esperança e Mudança” (PDT, PODE, PRB)

A área de desenvolvimento econômico receberá grande atenção, com as seguintes ações: modernização do fisco estadual, benefício fiscal para micro e pequenas empresas, política de benefícios fiscais, indústria forte, agronegócio de vanguarda e dinamizar as cadeias produtivas.

Júnior Mochi (MDB) – da coligação “Amor, Trabalho e Fé” (MDB, PR, PHS, DC, PTC, PSC, PRP)

A geração de empregos é uma das 15 metas do programa. O candidato propõe incentivos para o 1º emprego, retomar o Banco da Gente e redução gradativa da carga tributária.

Marcelo Bluma – da coligação “O Nosso Movimento é por Mudança” (PV, REDE e PCdoB)

A proposta é induzir polos de inovação tecnológica para catalisar a geração de empregos e negócios da indústria de tecnologia da informação.

Reinaldo Azambuja – da coligação “Avançar com responsabilidade” (PSDB, PSD, PMN, DEM, PATRI, PMB, PP, PROS, PSB, SD, PPS)

O atual governador promete fortalecer instrumentos capazes de gerar empregabilidade e qualificação e incentivar a formalização e o incremento das micro, pequenas e médias empresas.

Além de manter e estimular o programa de incentivos fiscais vinculado à geração de emprego. Uma proposta curiosa do tucano, ele propõe disponibilizar mais informações sobre a oferta de vagas no mercado de trabalho.