Lídio Lopes e a mulher, Adriane, vice-prefeita da Capital (Foto: Divulgação)

A Justiça Estadual bloqueou os bens do deputado estadual Lídio Lopes (PEN) para garantir o ressarcimento dos cofres públicos pelo pagamento de salários a uma funcionária fantasma. Enquanto a Assembleia Legislativa ignora as denúncias e não pune ninguém pela farra com o dinheiro público, o MPE (Ministério Público Estadual) comprova as irregularidades.

A denúncia gravíssima envolve o deputado estadual Lídio Lopes (PEN). Ele pagou salários por três anos e 10 meses para Sheila Lins Albuquerque trabalhar 40 horas semanais no Palácio Guaicurus, sede do legislativo estadual no Parque dos Poderes, em Campo Grande. Ela foi nomeada em março de 2013 e só exonerada em janeiro deste ano, provavelmente, após o parlamentar tomar conhecimento da investigação.

Só havia um problema: a mulher mora em Três Lagoas, a 325 quilômetros da Capital. Além de não fazer o percurso, que leva quatro horas, em média, só para ir ou voltar, Sheila usava o horário de expediente, segundo a denúncia do MPE, para fazer viagens internacionais e, pasmem, gabava-se dos lugares em postagens no Facebook.

O promotor Marcos Alex Vera, do Grupo Especial de Combate à Corrupção, comprovou as irregularidades cometidas pelo deputado.  O caso veio a tona com a divulgação pela TV Morena, ontem à noite, e pelo Correio do Estado nesta quinta-feira.

A farta documentação da farra com o dinheiro público – enquanto parte dos brasileiros fazem miséria para ganhar um salário mínimo por mês e outra para manter a farra no legislativo estadual – convenceu o juiz Alexandre Ito, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Coletivos, que determinou o bloqueio dos bens do parlamentar.

Lídio não ficou preocupado nem em explicar a irregularidade. O deputado que deveria dar o exemplo por ser político e, segundo, por ser evangélico (ele propagou a fé no horário eleitoral da mulher, Adriane Lopes, vice-prefeita da Capital), ficou indignado com o vazamento da história.

Como tem certeza da impunidade na casa comandada pelo deputado Junior Mochi (PMDB), o deputado anunciou que vai processar quem divulgou para a imprensa um caso em segredo de Justiça.

Lídio entra para a casta de políticos que agem acima do bem e do mal, apesar de ser pago com o dinheiro do povo.

Não é a primeira vez que denúncias de funcionários fantasmas assombram a Assembleia. No ano passado, a denúncia do deputado Paulo Corrêa (PR) ensinando Felipe Orro (PSDB) a fraudar a folha de ponto terminou sem, ao menos, investigação. Foi arquivada e ponto.

Em meado dos anos 90, o jornal Diário da Serra denunciou a existência de funcionários fantasmas no legislativo. Houve o caso de deputado que pagava com o dinheiro do contribuinte funcionários do programa de TV famoso na época. Tudo arquivado, como se o dinheiro público desse em árvore, como diz o ditado popular sobre o desperdício.