Com a sentença histórica da Operação Coffee Break, o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, deu resposta à sociedade de que a Justiça não tolera a corrupção. A opinião é do promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e que comandou uma das investigações mais emblemáticas na história de Campo Grande.
“É uma raro uma sentença tão extensa e com uma análise bastante técnica”, elogiou o “xerife” do Ministério Público Estadual, por ter enfrentado empresários bilionários, políticos poderosíssimos e, até então, intocáveis em Mato Grosso do Sul.
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Na opinião de Marcos Alex, apesar de ter condenado 11 e absolvido 11, o magistrado fez “leitura adequada das provas” juntadas aos autos. Contudo, ele avalia que cabe recurso do MPE para tentar a condenação de alguns atores inocentados em primeira instância.
O juiz absolveu o ex-governador André Puccinelli (MDB) e o senador Nelsinho Trad (PSD), acusados de articular o golpe para cassar o mandato de Alcides Bernal (PP), que colocou fim a hegemonia de 20 anos do MDB na Capital. Também absolveu os vereadores Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), e Otávio Trad (PSD), o ex-presidente da Câmara, João Rocha (PP), e o secretário estadual de Fazenda, Flávio César Mendes de Oliveira.
Surpresa
Marcos Alex ficou surpreso pela condenação por improbidade dos réus na Operação Coffe Break após 10 anos. Geralmente, o Poder Judiciário considera o tempo, quando o assunto perde repercussão na mídia, para julgar improcedente os pedidos do MPE.
“Depois de tanto tempo, em um caso que marcou a história da cidade, conseguir a condenação”, afirmou o promotor, classificando a sentença como um marco. Ele avaliou ainda que mais importante foi deixar claro que o ocorrido não foi articulação política, mas corrupção.
Com base em interceptações telefônicas e quebra de sigilos bancário e fiscal, o Gaeco desvendou a articulação comandada pelos empresários João Amorim e João Roberto Baird, o Bill Gates Pantaneiro, que corromperam e compraram apoio dos vereadores para cassar o mandato de Bernal. “Isso não é política, é crime”, ressalta o promotor. “Eles subverteram a lógica do jogo”, frisou.
Marcos Alex foi acusado na época de criminalizar a política. Outros o acusavam de ser “estrela”. A Coffee Break foi uma das operações mais emblemáticas da história de Campo Grande.
No dia 25 de agosto de 2015, a Capital chegou a contar com três prefeitos. Amanheceu com Gilmar Olarte (sem partido), que foi afastado pelo desembargador Luiz Cláudio Bonassini da Silva, relator da Coffee Break no TJMS.
Antes de assumir o mandato interino de prefeito, Flávio César (PSDB), foi surpreendido com a decisão do Tribunal de Justiça, que reconduziu Bernal ao cargo de prefeito.