O caos na saúde de Campo Grande gerado pela crise na Santa Casa fez com que dois vereadores analisem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a crise no setor. Rafael Tavares (PL) apura a situação financeira do maior e mais importante hospital de Mato Grosso do Sul, enquanto Marquinhos Trad (PDT) tem ambições maiores e quer uma auditoria nas contas da Secretaria Municipal de Saúde, a Sesau.
Marquinhos afirma que sua proposta foi motivada pela própria prefeita Adriane Lopes (PP), que declarou em fevereiro que a Sesau precisa de uma auditoria para ter um panorama de suas finanças. O ex-prefeito relata que “existem pontos extremamente comprometedores” na atual gestão e cita o aumento dos gastos médicos com casos que foram judicializados.
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“Precisamos saber por que que quintuplicou as judicializações. Na minha época, pagava-se R$ 7 milhões de cirurgias que foram judicializadas. Cada ano dela [Adriane] tem sido pago quase R$ 30 milhões, 35 milhões”, argumenta Marquinhos.
O ex-prefeito diz que enviou um ofício à prefeitura e aguarda resposta para elaborar o requerimento com pedido de CPI e está colhendo mais elementos para estabelecer o fato determinado a ser investigado, e que os anos a serem apurados podem incluir período em que Trad era o chefe do Executivo.
“Fato determinado é a palavra da prefeita, que disse ser necessário uma auditoria. Ao invés de ela contratar uma auditoria, nós vamos disponibilizar para a cidade uma auditoria gratuita para ela [Adriane]. Faço questão que pegue uma parte minha, pode ser os últimos cinco anos”, concluiu Marquinhos.
Antes de apresentar seu pedido de CPI, o vereador Rafael Tavares conseguiu a aprovação, na última quinta-feira (27), com 23 votos favoráveis dos colegas e nenhum contrário, de um requerimento que solicita informações detalhadas à Santa Casa sobre sua situação financeira e operacional.
O documento pede que a Santa Casa forneça informações sobre sua situação financeira, incluindo balanços e relatórios de gestão, detalhando os repasses recebidos nos últimos 12 meses. Além disso, o requerimento pede uma lista completa dos valores judicializados a serem recebidos e dados sobre a distribuição geográfica dos pacientes atendidos no hospital.
Também são solicitadas informações sobre a folha de pagamento, o estoque de medicamentos e insumos. O pedido aprovado pelos vereadores inclui ainda dados sobre os custos operacionais médios, o número de leitos disponíveis, a taxa de ocupação, a produção hospitalar e qualquer informação sobre a redução ou paralisação de serviços.
“É um requerimento bem fundamentado encaminhado à Santa Casa, para nós entendermos a questão do balanço financeiro, custo de insumos, folha de pagamento, fizemos vários questionamentos que poderão embasar uma eventual CPI da Santa Casa”, explica Tavares.
Rafael relata que quando a Santa Casa “começa a colapsar”, ela sobrecarrega as demais unidades de saúde e consequentemente acaba virando um “caos” em toda a saúde da Capital. A resposta do requerimento pode vir a fundamentar uma CPI nos próximos dias.
“A Santa Casa hoje é responsável por um atendimento complexo, que envolve municípios fora daqui de Campo Grande, tem verba federal, tem verba estadual, então eu acredito que se a Santa Casa vai bem, todo o sistema de saúde de Campo Grande vai bem”, finaliza.