Professor da rede pública desde 1996 e advogado, Joaquim Soares de Oliveira Neto, 54 anos, quer acabar com o uso da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), como “trampolim político” e mudar o comando da instituição após 20 anos. Apesar de ser a maior e mais forte entidade sindical do Estado, a federação estaria mais focada na construção de projetos pessoais do que defender o professor, conforme o candidato de oposição.
“O descontentamento da categoria com a Fetems é grande”, critica Joaquim. A tarefa não será fácil para enfrentar a candidata da situação, a atual vice-presidente, Deumeires Morais. Apesar de nunca ter conseguido votos suficientes para se eleger deputado federal ou vereador da Capital, o atual presidente, Jaime Teixeira, tem liderança forte entre os professores.
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A última vez em que uma candidata de oposição ganhou o comando da Fetems foi no início do século, quando a professora Mara Carrara, de Três Lagoas, surpreendeu e comandou a entidade. Ela não conseguiu emplacar o sucessor e perdeu a disputa para Jaime Teixeira, o atual presidente.
“Sempre estive na luta, sempre estive ao lado dos professores”, conta Joaquim, relembrando a participação nas greves históricas da educação sul-mato-grossense.
Bandeiras
Umas das principais bandeiras do candidato de oposição é conseguir a volta da paridade salarial do professor convocado e do concursado. Uma das grandes derrotas da atual gestão foi aprovação do projeto proposto pelo então governador Reinaldo Azambuja (PSDB) em julho de 2019 de pagar metade do salário pago ao efetivo para os professores temporários.
“A atual direção não evitou (a desvalorização salarial) e não cobra o cumprimento da promessa do atual governador”, acusa o professor. Eduardo Riedel (PSDB) prometeu pagar o mesmo salário aos professores efetivos e temporários.
“A Fetems perdeu os objetivos, é preciso de que volte a lutar pelo professor e não defende ideologia partidária”, cutuca Joaquim, sobre a atuação da atual diretoria no momento em que a política brasileira está totalmente polarizada.
Ele critica o uso da entidade na política. O atual presidente, Jaime Teixeira, foi candidato a deputado federal em 2022 e a vereador da Capital no ano passado pelo PT. Ele perdeu as duas eleições. O filho da vice-presidente foi candidato a vereador em Dourados, mas também perdeu.
“A atual diretoria da Fetems não dialoga com o professor”, lamenta o candidato. “Existe um descontamento da categoria com a Fetems”, critica. Ele propõe que a entidade passe a oferecer um atendimento especializado aos filiados.
Outra proposta é que a Fetems passe a oferecer assessoria jurídica invidual aos professores, seguindo o modelo adotado pelos sindicatos e associais das policiais. Não se limite a entrar com ações coletivas.
“É preciso dar apoio jurídico para dar apoio aos professores de forma individual, com orientação jurídica e extrajudicial”, propõe Joaquim.
O candidato
Joaquim Soares de Oliveira Neto é formado em Filosofia pela UCDB. Ele tem concurso no Estado para 40 horas na disciplina de história.
Na gestão do ex-governador Zeca do PT, Joaquim foi assessor da Secretaria Estadual de Administração e coordenador de Políticas Específicas da Secretaria Estadual de Educação. Nas duas áreas, ele atuou quando a secretaria era comandada pelo ex-deputado federal Antônio Carlos Biffi.
Na Educação, Joaquim citou que levou o MOVA (Movimento de Alfatização de Jovens e Adultos) de quatro para 54 municípios. Ele implantou o ensino médio nas aldeias indígenas. Também implantou a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Ele ainda trabalhou na Fundação Escola de Governo, onde atuou na formação de professores.
Em 2012, Joaquim se formou em Direito na UCDB.
A eleição da Fetems vai ocorrer no dia 2 de junho deste ano. A entidade conta com 25 mil filiados e é a maior entidade sindical de Mato Grosso do Sul.