O despachante David Cloky Hoffmam Chita mudou de estratégia e contratou dois novos advogados para atuarem em sua defesa para, ao que tudo indica, se entregar após nove meses foragido. Ele é réu em duas ações penais por fraudes no Departamento Estadual de Trânsito e está “em lugar incerto e não sabido” desde 12 de junho de 2024, quando a polícia não o encontrou para cumprir mandado de prisão.
David Chita foi figura central nas eleições para prefeito de Campo Grande no ano passado ao acusar o então candidato Beto Pereira (PSDB) de comandar um esquema corrupção no Detran-MS e dizer que o deputado federal teria recebido R$ 1,2 milhão em propina para sua campanha. O tucano negou as acusações, mas acabou fracassando nas urnas e ficou fora do segundo turno.
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A prisão preventiva de Chita foi decretada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal, e mantida pela juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal, e pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
Chita é réu por associação criminosa, inserção de dados falsos no sistema do Departamento Estadual de Trânsito e causar um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões. O DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) deflagrou a operação para prender o despachante, mas ele não foi localizado e permanece foragido.
Apesar de estar com mandado de prisão em aberto, David Clocky Hoffmam Chita ganhou os holofotes na campanha eleitoral ao divulgar um vídeo no Midiamax para acusar o deputado federal de ser o líder do suposto esquema criminoso. Ele dizia que tinha interesse em fazer delação premiada.
O Ministério Público rejeitou a proposta de colaboração premiada feita pela despachante. Uma suposta delação, porém, voltou a circular e O Jacaré apurou que David Chita contratou os advogados André Borges e Vander Ricardo Gomes de Oliveira Almeida, o que alimentou ainda mais os rumores. No entanto, esta opção estaria descartada.
O advogado André Borges confirmou que assumiu a defesa do despachante, mas se limitou a dizer que atualmente está “estudando os vários processos; medidas para garantir a liberdade”.
De acordo com a investigação, o esquema de corrupção era comandado pelo despachante David Cloky Hoffaman Chita em conluio com a servidora comissionada do Detran-MS Yasmin Osório Cabral. Ela chegou a ser presa, mas obteve prisão domiciliar no dia 21 de agosto do ano passado após informar estar grávida.