A obra milionária de Adriane Lopes (PP) não suportou 62,4 milímetros, conforme o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), menos da metade da chuva de 134,8 mm que causaram a destruição em 2023. A restauração feita na gestão de Nelsinho Trad (PSD) resistiu por 18 anos e suportou vários temporais sem ruir.
No dia 5 de janeiro de 2023, oito meses após Adriane assumir o comando da prefeitura da Capital, a chuva torrencial causou o transbordamento do Lago do Amor e o desmoronamento da ciclovia, da passarela e parte da Avenida Filinto Muller.
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Sem licitação e por meio de contrato emergencial, a prefeita contratou a CCO Infraestrutura por R$ 3,880 milhões para realizar a recomposição estrutural do aterro, vertedouro e do muro de contenção do Lago do Amor. A obra teve reajuste de R$ 404,3 mil e redução de R$ 1,015 milhão, conforme extratos publicados no Diário Oficial de Campo Grande em setembro de 2023.
No dia 20 de novembro daquele ano, o secretário municipal de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, reduziu o valor em mais R$ 404,3 mil. O município acabou pagando R$ 2.859.234,27 pela recuperação do Lago do Amor. Esse dinheiro acabou indo água abaixo com o novo desmoronamento nesta terça-feira (18), exatamente 539 dias após a entrega da obra pela prefeita Adriane Lopes.
Em entrevista coletiva, Marcelo Miglioli, descartou falha na obra executada pela CCO Infraestrutura. Nem o problema registrado um mês após a entrega comprometeu a empreiteira.
Chuvas mais intensas
A maior preocupação do campo-grandense é que a obra executada ao custo de R$ 2,8 milhões não resistiu a uma chuva de 64,8 mm. A quantidade de água representa 46% da precipitação registrada no dia 5 de janeiro de 2023 quando 134,8 mm causaram o desmoronamento da avenida, ciclovia e passarela.
Antes da chuva de 2023, a obra, executada na gestão de Nelsinho em 2005, resistiu a outros temporais. Em 2006, a Capital registrou 127 mm de chuva. Houve registro de chuva expressiva no dia 11 de março de 2021 (102 mm) e no dia 18 de agosto de 2022 (104 mm).
A revitalização realizada há 18 anos contou com reforço dos trilhos da rede ferroviária federal, que foram retirados do perímetro urbano, para reforçar o muro de contenção do Lago do Amor.
Adriane chegou a se gabar, por meio da assessoria, que a revitalização milionária evitaria novos desabamentos no Lago do Amor. A obra não aguentou dois anos. A expectativa é de que o município gaste, novamente, uma fortuna para recuperar o local.