A inflação alta, principalmente com o encarecimento do café e da carne, e a sensação de piora na economia abalaram a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso do Sul. De acordo com o Instituto Ranking Brasil Inteligência, em um ano e oito meses, a taxa de ruim/péssimo do petista subiu 25 pontos percentuais e atingiu 55,8% neste mês.
Por outro lado, a taxa de bom/ótimo do presidente despencou 15 pontos percentuais no mesmo período, de 40,80% para 24,6%. Dos programas lançados pelo petista, os únicos positivos lembrados pelo eleitor foram o Bolsa Família, uma marca do primeiro mandato, e o Programa Pé de Meia, que contempla estudantes do ensino médio com uma poupança.
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A popularidade de Lula atingiu o nível mais baixo da sua história no Estado, famoso por votar em candidatos de direita e centro direita.
Apesar de ter perdido para Jair Bolsonaro (PL) no Estado, já que não contou com o apoio de nenhum dos dois candidatos a governador no segundo turno – Eduardo Riedel (PSDB) e Capitão Contar (PRTB) apoiaram o ex-presidente – Lula conseguiu ensaiar uma recuperação.
Em julho de 2023, com pouco mais de seis meses de mandato, o petista era considerado ótimo/bom por 40,2% dos sul-mato-grossenses, enquanto 30,3% avaliavam a sua administração como ruim/péssima.
O humor do eleitorado começou a mudar com o tempo. A taxa de bom/ótimo caiu para 35,20% na pesquisa divulgada pelo Ranking em dezembro de 2023. No final do ano passado, o índice ensaiou uma queda, para 30%, que avaliavam o petista como ruim/péssimo.
Avaliação Lula | Julho/2023 | Dezembro/2023 | Dezembro/2024 | Março/2025 |
Bom/Ótimo | 40,2% | 35,20% | 31% | 24,60% |
Regular | 25% | 25% | 34% | 16,80% |
Ruim/Péssimo | 30,3% | 33,80% | 30% | 55,80% |
Conforme o levantamento realizado neste mês, entre os dias 3 e 15 com 3 mil eleitores em 30 cidades, a desaprovação disparou. Dos eleitores de MS, 55,8% avaliam o petista como ruim/péssimo.
A taxa de ótimo/bom chegou a 40,2% em julho de 2023. Seis meses depois, em dezembro daquele ano, o índice variou para 35,2%. Em dezembro do ano passado, nova queda, para 31%. Agora, apenas 24,6% avaliam a gestão Lula como ótima/boa.
As causas
De acordo com o Ranking Brasil, o aumento nos preços, que tomou conta do noticiário com o disparo no preço do café, da carne bovina e até do ovo, são as principais causas da queda brusca na popularidade de Lula.
Para 41,5%, a causa está ligada a economia. Conforme o Ranking, 17,50% apontaram a votla da inflação/tudo caro. Outros 13% apontaram a piora na economia/custo de vida. E 11% apontaram o Governo perdido/equipe fraca, com as idas e vindas com as medidas polêmicas, como as mudanças no Pix e o lenga-lenga no corte de gastos.
Ainda teve 6,2% apontando o “pior governo para o agro”. Os desgastes antigos, da época a Operação Lava Jato, também foram lembrados, como Lula Ladrão/PT Corrupto (5%). Falta de liberdade de expressão (4,5%), cadê a picanha (3%) e juros altos (2,6%) também foram citados.
Já os principais programas da atual gestão não foram citados pelos eleitores, como o Novo PAC, que prevê investimentos bilionários no Estado, o Programa Minha Casa Minha Vida, que retomou a construção de unidades habitacionais, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5mil, não foram citados.
Os defensores de Lula apontaram como pontos positivos o Bolsa Família (10%), Pé de Meia (6%), bem melhor que Bolsonaro (4%) e defensor dos negros, índios e pobres (3%).
O levantamento mostra que o presidente não colhe frutos com a retomada das obras federais, com a queda do desemprego e o ganho real no salário dos trabalhadores. A direita está ganhando o debate no momento.