
A guerra entre as famílias Name e Razuk continua, mas agora é para ver quem assume o contrato bilionário da Lotesul (Loteria de Mato Grosso do Sul). Antes, os dois grupos brigavam pelo controle do jogo do bicho, considerado uma contravenção penal, mas explorada por meio de organizações criminosas, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
O interesse da família Name, que controlou por décadas a jogatina em Campo Grande, ficou evidente com o empresário Jamil Name Filho, que pediu a anulação da licitação por meio de recurso administrativo e denúncia no Tribunal de Contas do Estado.
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Já a digital da família Razuk, de Dourados, surgiu por meio da empresa Criativa Technology, que também pediu a suspensão do certame administrativamente e com petição encaminhada ao TCE. Criada em 17 de janeiro de 2018 e com capital social de R$ 96 mil, a empresa está em nome de Sérgio Donizete Balthazar, que assinou os recursos.
Ao pagar as custas judiciais, o empresário Roberto Razuk, pai do deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), deixou a digital da família. Ele efetuou o pagamento de R$ 779,10 de custas por meio do PIX e o nome do poderosíssimo empresário douradense foi anexado ao processo.
A ação protocolada no último domingo (16) no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul pelo advogado Elder Lopes Bueno, em nome da Criativa Technology, pedia a suspensão da licitação e anulação do edital.
“Que o edital seja republicado, diante da impossibilidade de suprimento dos vícios insanáveis, aplicando-se a solução de lançamento de novo edital, mas para fins de contratação de Operador lotérico (ou operadores), transferindo a ele(s) a responsabilidade do provimento do meio de pagamento e exigindo todos os controles necessários a uma operação lotérica que atenda os limites da legalidade”, pediu.
O pedido de liminar foi distribuído para a juíza Cíntia Xavier Letteriello, convocada para atuar no TJMS. Ela não se manifestou e o certame chegou a ser aberto na segunda-feira. A Secretaria de Fazenda habilitou três empresas, que não tiveram os nomes revelados.
Guerra
A família Name só deixou o comando do jogo do bicho graças a Operação Omertà, que levou o patriarca, Jamil Name, e o herdeiro, Jamil Name Filho, para a prisão em setembro de 2019. Eles foram acusados de liderar uma organização criminosa e comandar um grupo de extermínio na Capital.
Sem o grupo, houve um vácuo e grupos passaram a disputar o controle do jogo do bicho na Capital. De acordo com o Gaeco, uma das supostas organizações criminosas era chefiada por Neno Razuk, que chegou a ser alvo da Operação Sucessione e responde pelos crimes de organização criminosa e exploração do jogo do bicho na 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
Com o jogo do bicho na mira da polícia, os dois grupos passaram a mirar a Lotesul, um negócio legal e com previsão de faturamento de R$ 51,4 milhões por ano. Com o contrato de 35 anos, o grupo pode garantir um ganho de R$ 1,8 bilhão.
Jamil Name Filho está preso no Presídio Federal de Mossoró e já foi condenado a mais de sete décadas de cadeia.
De acordo com o advogado André Borges, ele não participou da licitação aberta na segunda-feira, mas aguarda o desfecho da denúncia no TCE e da conclusão do certame. “Jamil Name Filho, por advogado, observa os acontecimentos; por representantes, quer e pode participar da licitação, mas desde que o edital seja refeito, excluídas as ilegalidades existentes”, garante Borges.