Única mulher deputada federal de Mato Grosso do Sul, Camila Jara (PT) viu suas redes sociais se transformarem em verdadeiras plataformas para obituários de cada vítima de feminicídio cometido no Estado. Este mês não deu sossego para a parlamentar, fevereiro começou com uma morte, e chegou a cinco no início desta semana.
Diante deste cenário, que não é exclusivo de MS e se repete em outros estados, Camila apresentou na Câmara dos Deputados um projeto de lei que altera a legislação em busca de garantir mais segurança às mulheres. A proposta prevê medidas como afastamento imediato do agressor, caso ele descumpra a medida protetiva, e responsabilização de agentes de segurança em caso de falha na proteção da vítima.
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“A gente não tem um dia de paz para ser mulher em Mato Grosso do Sul. Em menos de um mês, nós saltamos de dois feminicídios para cinco feminicídios. Cinco mulheres que perderam a vida só pelo fato de serem mulheres. Não é aceitável que um estado que se considera próspero economicamente continue a matar e ver suas mulheres serem mortas só pelo fato de serem mulheres”, declarou Camila nesta segunda-feira (24).
Desde a comoção com o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, 42 anos, cometido pelo ex-noivo Caio Nascimento Pereira, 35 anos, ocorrido em 12 de fevereiro, o número de casos corre o risco de triplicar em menos de um mês. Enquanto as autoridades da Segurança buscam formas de coibir este tipo de crime, a quantidade de vidas perdidas vai se acumulando.
As duas primeiras vítimas em 2025 foram Karina Corin, 29 anos, e Vanessa Ricarte. Depois vieram Juliana Dominguez, 28 anos, em Dourados; Mirieli Santos, 26 anos, em Água Clara; e a mais recente Emiliana Mendes, de 65 anos, em Juti, assassinada entre a noite de domingo (23) e a madrugada de segunda-feira.
Após cada feminicídio, Camila Jara anunciou indignadamente o crime para seus seguidores com homenagem à vítima.
“Nós precisamos de metas claras, de prazos. Nós já entramos com alteração na legislação Maria da Penha para que ela ofereça mais proteção às mulheres. Colocamos recursos do nosso mandato à disposição para que a gente amplie nossa rede de proteção. Nós precisamos não se calar. Basta de feminicídio. Nenhuma gota de sangue a mais”, afirmou Camila.
O Projeto de Lei 507/2025 ainda estabelece a notificação imediata do agressor, com uso de força policial, se necessário; e obrigatoriedade da concessão de medidas protetivas de urgência contra agressores reincidentes.