A reforma da prefeita Adriane Lopes (PP) vai na “contramão do futuro” e transformar a prefeitura da Capital em “cabide” de emprego para políticos. A análise é do jornalista e cientista político Tércio Albuquerque, que considera negativo a extinção das secretarias de Meio Ambiente, Juventude e Cultura.
Mais grave ainda ele avalia o fato de a consultoria usada para reestruturação administrativa ter sido paga pelo Progressistas, partido da senadora Tereza Cristina e do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro. Avalia que não vai sair de graça para o município. “Vai ter um custo elevadíssimo”, prevê, sobre as consequências de uma estrutura montada para servir a uma sigla partidária e não ao povo.
Veja mais:
Com reforma paga pelo PP, Adriane conta com três secretarias voltadas à articulação politica
Câmara aprova reforma de Adriane e acaba com Semadur na era do aquecimento global
‘Apagão’ e protestos adiam votação da reforma de Adriane e Câmara terá sessão extra nesta 4ª
Para Tércio Albuquerque, a nova estrutura, com a criação de três pastas voltadas para a articulação política, como as secretarias de Governo, Articulação Regional e Casa Civil, visa as eleições de 2026. “Existe uma tendência política e interesses políticos”, alertou. Ele ainda prevê que Tereza Cristina poderá disputar o Governo do Estado em 2026 contra o primo e aliado, o atual governador, Eduardo Riedel (PSDB).
“Quando se volta contra as secretarias do Meio Ambiente, Turismo, Cultura e Juventude, está se indo na contramão do futuro, do que se espera do futuro”, lamentou. No atual momento da humanidade, com aquecimento global e mudanças climáticas, Albuquerque explicou que é preciso um bom plano do meio ambiente, que pense o amanhã. “E ao mesmo tempo estamos deixando desguarnecida a juventude, as crianças”, frisou.
Estratégia é o poder
De acordo com Tércio Albuquerque, a prefeita adotou a linha para se manter no poder a qualquer custo “e o povo que se vire”. “É um equívoco no sentido do caminho da humanidade”, disse. “O povo que arque com as consequências do voto”, avaliou.
O cientista político ainda criticou a consultoria para realizar a reforma sem realizar audiência pública ou ouvir a população. Na prática, ele explica que o PP está comandando a estrutura da Prefeitura de Campo Grande de acordo com os seus interesses e não os do povo. A prefeita confirmou, ontem, que o Progressistas pagou a consultoria que recomendou a extinção das secretarias como Juventude, Cultura e Semadur e a criação de mais duas políticas.