Simone diz que não vai fugir da raia como Ciro, que foi a Paris, e vai subir no palanque a favor da democracia no segundo turno (Foto: Arquivo)

Oscilando entre 1% e 2% nas pesquisas, a senadora Simone Tebet (MDB) descarta repetir o exemplo do ex-ministro da Integração, Ciro Gomes (PDT), que decidiu viajar a Paris para não votar em ninguém no segundo turno em 2018. Em entrevista ao G1, a emedebista sinalizou que deverá apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração feita em entrevista ao G1 na segunda-feira repercutiu ontem em todos os meios de comunicação. Esta pode ser a primeira vez que a senadora vota em Lula para presidente. Nas outras eleições, Simone acompanhou o MDB de Mato Grosso do Sul, que sempre optou pelos candidatos do PSDB, como José Serra em 2002 e 2010, Geraldo Alckmin em 2006 e Aécio Neves em 2014.

“Eu não estarei assistindo na sala na frente de uma TV. Eu estarei em um palanque eleitoral defendendo a democracia e defendendo as propostas que possam efetivamente tirar o país dessa vergonhosa estatística de ser um dos países mais desiguais do mundo”, afirmou.

A frase foi interpretada como apoio a Lula, já que Bolsonaro vem sendo duramente criticado pela senadora. Em entrevistas anteriores, a emedebista já tinha condenado o atual presidente pela atitude autoritária.

A repercussão levou a senadora a repetir, nas redes sociais, que não irá apoiar nenhum outro candidato porque tem certeza de que estará no segundo turno, apesar de não crescer nas pesquisas.

“Para quem me conhece e viu minha entrevista, minha posição é clara: estaremos no segundo turno. O Brasil merece paz. Merece uma alternativa à polarização. Nossa luta é pela democracia e pela reconstrução do Brasil”, ressaltou Simone.

Ela foi chancelada como candidata pelo MDB e conta com o apoio do PSDB e do Cidadania. No entanto, a senadora não conseguiu o apoio unânime dos dois maiores partidos da coligação. Emedebistas e tucanos estão divididos entre Lula e Bolsonaro. O único unido é o inexpressivo Cidadania, que eterniza Roberto Freire no comando há décadas.

O MDB espera atrair um outro partido para a chapa de Simone. O presidente da sigla, Baleia Rossi, negocia com Renata Abreu, presidente do Podemos. O partido iria lançar o ex-juiz Sergio Moro, que acabou preferindo o União Brasil. Agora, o podemos cogita lançar o general Santos Cruz.

A dificuldade de Simone é tanta que a senadora não conta com o apoio do PSDB nem em Mato Grosso do Sul. O tucano Eduardo Riedel até evita posar com a senadora para não se comprometer na esperança de obter o voto dos bolsonaristas. O marido da emedebista, Eduardo Rocha, é secretário de Governo e principal articulador político de Reinaldo Azambuja (PSDB). Até o ex-governador André Puccinelli evitou reuniões com Simone.