No artigo “Sua mãe: a heroína que sabe enfrentar o dragão da inflação”, o economista e ensaísta Albertino Ribeiro aborda a luta das donas de casa para driblar e minimizar os efeitos da inflação, que chegou a 80% ao mês no final da ditadura militar. Com o retorno do fantasma, com o aumento do custo de vida batendo recorde, ele dá dicas para economizar na compra no supermercado.

“Naquela época, vivíamos período de hiperinflação, cujas variações de preços chegaram ao patamar de 80% ao mês – isso mesmo, caro leitor. Os produtos quase dobravam de preços de um mês para o outro”, relembra.

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“Foi naquela mesma época (anos 80) que começaram a surgir os movimentos de donas de casa com objetivo de nos proteger da inflação e reduzir o seu poder de fogo. Sendo assim, surgiu em 1983, em Minas Gerais, o ‘Movimento de donas de casa e consumidores’ (MDC-MG). Este grupo era formado por várias mães guerreiras que se preocuparam com a alta de gêneros essenciais para as famílias”, destaca.

“Segundo essas mães, a principal coisa é ter cautela e bom-senso. O velho hábito de fazer uma lista antes de sair para as compras é fundamental para não estourar o orçamento. Pesquisas comprovam que as pessoas que utilizam lista de compras conseguem economizar bem mais do que aquelas que não usam. Aqueles que utilizam planilhas para controlar os gastos, conseguem economiza até 15% das despesas”, conta.

Confira o artigo na íntegra:

“Sua mãe: a heroína que sabe enfrentar o dragão da inflação

Albertino Ribeiro

A expressão ‘Dragão da Inflação’ foi cunhada na década de 1980 pelo jornalista econômico e editor do jornal GGN, Luís Nassif. Naquela época, vivíamos período de hiperinflação, cujas variações de preços chegaram ao patamar de 80% ao mês – isso mesmo, caro leitor. Os produtos quase dobravam de preços de um mês para o outro.

Hoje a inflação é mais uma vez fonte de preocupação. A prévia do IPCA de abril, do IBGE, alcançou a casa de 1,73%. Nesse cenário, é preciso ter cuidado para não voltarmos à perdida década de 1980, quando o poder de compra das famílias era reduzido a cinzas pela fúria do dragão.

Por seu turno, foi naquela mesma época (anos 80) que começaram a surgir os movimentos de donas de casa com objetivo de nos proteger da inflação e reduzir o seu poder de fogo. Sendo assim, surgiu em 1983, em Minas Gerais, o ‘Movimento de donas de casa e consumidores’ (MDC-MG). Este grupo era formado por várias mães guerreiras que se preocuparam com a alta de gêneros essenciais para as famílias.

Destarte, as heroínas que começaram quietinhas no estado que possui o melhor pão de queijo, tutu e frango com quiabo do mundo, agora divulgam suas experiências, promovendo palestras em universidades, associações e escolas de nível fundamental e médio. Coisa de mãe mesmo! Se doar e compartilhar conhecimento com o propósito de ajudar as pessoas.

Algumas dicas das domadoras de dragões

Segundo essas mães, a principal coisa é ter cautela e bom-senso. O velho hábito de fazer uma lista antes de sair para as compras é fundamental para não estourar o orçamento. Pesquisas comprovam que as pessoas que utilizam lista de compras conseguem economizar bem mais do que aquelas que não usam. Aqueles que utilizam planilhas para controlar os gastos, conseguem economiza até 15% das despesas.

Outras dicas simples seriam as seguintes: trocar os produtos que tiveram alta significativa por produtos similares, não comprar alimentos cujos preços altos se devem a sazonalidade e aplicar a estratégia dos genéricos em relação aos produtos de limpeza, ou seja, escolher o produto pelo princípio ativo e não pela marca.

Não é somente a Daenerys Targaryen que doma dragões

Podemos concluir que, no jogo dos tronos do mundo real, temos uma verdadeira rainha, equipada com armadura que resiste às agruras da vida e cujo capacete ampara grande inteligência e sensibilidade. Mais ainda, sua espada nos protege ‘desde que nos entendemos por gente’. Diante disso, o que é uma inflação para detê-las?

Obrigado mães, as verdadeiras economistas do nosso Brasil!

Uma dica comportamental deste economista

Seria necessário tomar mais do seu tempo, leitor, para falar das estratégias comportamentais para gastar menos. Assim sendo, recomendo apenas que ninguém vá ao supermercado com fome. Segundo a neurociência, estar com fome na hora das compras dispara gatilhos mentais da época das cavernas, quando os alimentos eram escassos e também não havia meios de conservá-los. Dessa forma, comia-se o máximo possível para armazenar energia. Essa herança manifesta-se hoje em relação ao dinheiro, o que nos faz gastar mais do que o necessário.

Recomendo a todos o livro ‘Saga brasileira: a grande luta de um povo por sua moeda’. Nele, a autora, Miriam Leitão, que também é mãe, traz relatos de pessoas comuns que sofreram com a inflação, antes do plano Real.

‘A inflação faz germinar a semente da convulsão social’

B. Calheiros Bomfim”.
 (*) Albertino Ribeiro é economista e ensaísta. A coluna EcOnOmIA FoRa dA CaiXa é publicada aos domingos em O Jacaré
(*) Albertino Ribeiro é economista e ensaísta. A coluna EcOnOmIA FoRa dA CaiXa é publicada aos domingos em O Jacaré