Emocionado, emedebista classificou aquário como obra grandiosa e destacou união de dois governos (Foto: Cyro Clementino/Divulgação)

Idealizador e responsável pelo lançamento da obra do Aquário do Pantanal, que custou quase R$ 300 milhões e levou 11 anos para ser concluído, o ex-governador André Puccinelli (MDB) classificou a inauguração, na manhã desta segunda-feira (28), como “momento histórico para Mato Grosso do Sul”. Sem citar as denúncias os escândalos, o emedebista pediu, emocionado: “vamos virar esta página” e “viver este momento único e feliz de nossa história”.

Responsável pela conclusão do empreendimento, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que teve a grandeza de dividir o mérito com o antecessor, também destacou o potencial como centro de pesquisa. “Não tem disputa política, na placa vai dizer que foi iniciada na gestão passada e concluída na minha. O material de pesquisa é muito importante dentro do Bioparque, com seus laboratórios”, frisou, conforme o Campo Grande.

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Construído no Parque das Nações Indígenas e nos altos da Avenida Afonso Pena, dois cartões postais de Campo Grande, o aquário passa a ser chamado de Bioparque do Pantanal. O Governo do Estado abandonou a denominação inicial, que poderia ser considerada uma grife e optou pela substituição, talvez mais para apagar os escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público que marcaram a obra, do que pelo potencial de marketing da nova denominação.

Apesar de ter concluído o empreendimento, o Estado não tem estimativa dos custos da manutenção e da operacionalização do Aquário do Pantanal. Como a Cataratas do Iguaçu, operadora de pontos turísticos famosos, desistiu da gestão do Bioparque, mesmo tendo vencido a licitação, o Governo decidiu não cobra ingresso pelo acesso até o dia 31 de dezembro deste ano.

De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, o levantamento para saber o custo do megaempreendimento ainda será feito. A Águas Guariroba vai garantir o abastecimento dos 31 tanques, que possuem capacidade para 5 milhões de litros de água.

“É um projeto que vai marcar as novas gerações, para a formação de sul-mato-grossenses mais conscientes e cientes da responsabilidade com a biodiversidade”, endossou o secretário estadual de Infraestrutura, Eduardo Riedel, que assumiu o cargo no ano passado tendo a conclusão do aquário como uma das missões.

Durante o discurso de inauguração, Puccinelli classificou a obra como “grandiosa” e importantíssima para o futuro do emprego, para o desenvolvimento do turismo e da ciência em Mato Grosso do Sul. “É o resultado dos esforços de muitas pessoas”, destacou, fazendo homenagem ao arquiteto Ruy Ohtake, que acabou morrendo envolto em suspeita de improbidade administrativa e sem ver a sua marca inaugurada.

O ex-governador frisou que o Aquário do Pantanal vai atender o setor de serviços, que desejava um ponto turístico para atrair viajantes do mundo inteiro ávidos por conhecer as belezas naturais de outros países. Para ele, o Bioparque vai colocar MS no mapa do mundo. “Será nosso cartão postal”, frisou, apostando que o local será parada obrigatória para quem passar por Campo Grande e desejar fazer um selfie no celular.

“É a vitória de dois governos democráticos, que são adversários, mas não são inimigos na vida”, ressaltou sobre a obra, iniciada na sua gestão, em abril de 2011, e concluída neste mês por Reinaldo Azambuja.

Sobre as ações de improbidade na Justiça, os desvios e as suspeitas de corrupção levantadas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União, ninguém teve nada a comentar.

Reinaldo Azambuja destacou o desenvolvimento de pesquisas no Bioparque (Foto: Divulgação)