Nelsinho Trad não paga IPTU desde 2017 e prefeitura vai à Justiça para cobrar R$ 152 mil (Foto: Arquivo/Senado)

Apesar de ganhar R$ 33.763 como senador da República, o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PSD), não paga IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) desde de 2017 de um imóvel no Jardim dos Estados. A Prefeitura de Campo Grande ajuizou ação na Justiça para cobrar R$ 152,9 mil no início deste mês.

Com os bens bloqueados em ações de improbidade administrativa, o ex-prefeito também é alvo de cobrança de dívida milionária da campanha de 2014, quando disputou o Governo do Estado. A VCA Produções luta há quatro anos para receber R$ 3,4 milhões. O construtor Paulo Quintino Barreto cobra R$ 223 mil desde novembro de 2019.

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Agora é a prefeitura, comandada pelo irmão do senador, Marquinhos Trad (PSD), que ingressou com ação de cobrança contra Nelsinho. Ele deixou de pagar o tributo referente ao imóvel localizado na Rua da Paz, onde foi sua residência por muitos anos.

De acordo com o procurador municipal Denir de Souza Nantes, o município cobra o valor dos tributos atrasados e mais os honorários advocatícios de 10% a 20%. O pedido ainda não foi analisado pelo juiz Wagner Mansur Saad, da Vara de Execução Fiscal Municipal.

Nelsinho não é o único político em apuros com o fisco municipal. O ex-governador André Puccinelli (MDB) também é alvo de cobrança pelo IPTU do apartamento onde reside no Jardim dos Estados. O emedebista estaria devendo R$ 38,1 mil em IPTU.

Ao ser procurado a respeito, o senador limitou a informar que ainda não foi notificado pela Justiça. “Não existe nenhuma notificação a respeito dessa cobrança!”, destacou, por meio da assessoria de comunicação.

Em despacho do dia 31 de janeiro deste ano, a Justiça determinou que o ex-governador quite o valor devido ao poder público em cinco dias, sob risco de ter os bens penhorados. Puccinelli chegou a usar o IPTU como um dos motivos para a Justiça Federal lhe liberar a retirada mensal de R$ 18,5 mil por mês da fortuna bloqueada na Operação Lama Asfáltica.

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região acatou o seu pedido dois anos e meio após a retirada ser proibida. No entanto, a 5ª Turma reduziu o valor a ser retirado para R$ 10 mil por mês.

Na enxurrada de ações na Justiça, a Procuradoria-Geral do Município não poupou nem o prefeito Marquinhos Trad. Na ação, o município cobra o pagamento de R$ 121,7 mil referente a um imóvel localizado na Rua Arthur Jorge, na região do São Francisco.

O caso já começou a ser explorado pelos adversários do prefeito, que anunciou disposição de ser candidato a governador nas eleições deste ano. A procuradoria até pediu a exclusão do débito, mas o pedido foi negado pela Justiça.

De acordo com a assessoria da prefeitura, houve um erro porque o imóvel pertence ao ex-deputado federal Nelson Trad, pai do prefeito, que morreu em 7 de dezembro de 2011. “Houve erro no ajuizamento. Os imóveis estão registrador em cartório em nome do falecido Nelson Trad”, informou a assessoria do município.

“Houve um problema no ajuizamento das execuções fiscais desse ano. São vários casos iguais ao do prefeito. Mas estamos corrigindo”, garantiu.

Com salário de R$ 33.763 por mês, o equivalente a 27 salários mínimos, ex-prefeito tem problema de cidadão comum e recebe carnê amarelo (Foto: Reprodução)