Em torno de 20 trabalhadores participaram da assembleia que aprovou a greve a partir de sexta (Foto: Midiamax)

Os trabalhadores do transporte coletivo de Campo Grande aprovaram, nesta segunda-feira (3), greve por tempo indeterminado a partir da próxima sexta-feira (7). Com a paralisação dos ônibus, considerado serviço essencial, o Consórcio Guaicurus aumenta a pressão para elevar o valor do passe de R$ 4,20 para, pelo menos, R$ 5,12.

O grupo alega perda de receita e grave crise por causa da queda no movimento de passageiros pagantes durante a pandemia da covid-19, iniciada em março de 2020, e quer reposição das perdas ou subsídio na tarifa. Na prática, o custo vai ser pago pelo usuário diretamente por meio da passagem de ônibus ou pelo contribuinte por meio de repasse financeiro pelo município.

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Os trabalhadores querem reajuste salarial de 11,08%, que inclui a reposição da inflação oficial dos últimos 12 meses. No entanto, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) descartou repassar para o usuário o reajuste de 21,93%, calculado pela Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos), e limitou, via decreto, a correção a 5%.

Em assembleia geral com a participação de aproximadamente 20 trabalhadores, conforme o Campo Grande News, os trabalhadores decidiram paralisar as atividades. “São cerca de 1 mil trabalhadores entre motoristas, pessoal do terminal e administrativo. A decisão foi tomada porque o Consórcio Guaicurus não cumpriu o acordo feito em novembro deste ano e que previa um reajuste inicial de 17%”, contou o presidente do Sindicato do Trabalhadores do Transporte Coletivo, Demétrio Feritas, em entrevista ao Midiamax.

“Na época, o Consórcio alegou que não tinha condições, falando que não houve reajuste da tarifa e a prefeitura estava demorando com as negociações. Nesse impasse, a categoria ressaltou que não tem relação com a prefeitura, a questão deles é com o Consórcio”, afirmou.

A decisão da categoria foi tomada na semana seguinte ao anúncio feito por Marquinhos. O Consórcio Guaicurus já pediu ao prefeito a revisão do decreto para elevar a tarifa acima de R$ 5. O valor vem sendo praticado na maioria das grandes cidades brasileiras. O valor da tarifa do transporte coletivo vem se transformando em pesadelo para a população.

Além de não conceder o reajuste no salário, o grupo empresarial ainda parcelou o abono natalino dos trabalhadores. “Eles nos falaram que estavam com dificuldade. Nós agora vamos manter a decisão da greve e só mudaremos o posicionamento caso eles nos informem alguma decisão nos próximos dias. Deve parar cerca de 70%, apenas os 30% vão estar nas ruas para levar os serviços essenciais, como os trabalhadores de saúde. Vamos fazer a nossa triagem nesse caso, como sempre fizemos”, prometeu Freitas.

As empresas também participam de campanha nacional para zerar a alíquota do ICMS sobre o óleo diesel. Em Campo Grande, os veículos trafegam com adesivo pedindo o fim do tributo, que é de competência do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Marquinhos já anunciou que vai pedir ajuda do tucano para entrar em um acordo com as empresas do transporte coletivo.

A paralisação do transporte coletivo é raro em Campo Grande. A última paralisação foi de horas e causou enorme transtorno à população. Apesar de ser ruim e precário, os ônibus urbanos garantem a chegada de milhares de trabalhadores ao serviço todos os dias na cidade.

A prefeitura pretende autorizar reajuste de 5% na tarifa, elevando o valor atual de R$ 4,20 para R$ 4,40. As empresas querem, pelo menos, o valor de R$ 5,12 definido pela Agereg.

No ano passado, elas já queriam o valor de R$ 5,23, antes do aumento no óleo diesel e sem considerar o reajuste de 11,08% nos motoristas.