Sindicalista deve cumprir a pena de 46 anos e oito meses no presídio de Aquidauana (Foto: Arquivo/O Pantaneiro)

Ex-presidente do Conselho Estadual de Saúde e um dos principais líderes sindicais de Mato Grosso do Sul, o professor de geografia, F.G.E., de 55 anos, foi condenado a 46 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo estupro da afilhada por uma década, dos 8 aos 18 anos de idade. Ele também abusou da irmã da primeira vítima. O crime chocou o município de Aquidauana, a 130 quilômetro da Capital, os movimentos sociais e partidos de esquerda.

Apesar do nome do professor ter viralizado no final do ano passado, O Jacaré vai manter as iniciais para preservar as vítimas. De acordo com o relato feito à Polícia Civil em dezembro do ano passado, a garota começou a sofrer os abusos do padrinho aos 8 anos de idade. Aos 12, o professor tirou a sua virgindade e manteve os abusos mediante as ameaças. Ele frequentava a casa da família.

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Fundador do Partido dos Trabalhadores em Aquidauana, ele foi preso no dia 22 de janeiro deste ano. A condenação do sindicalista só foi possível graças aos movimentos das mulheres de esquerda e ativistas sociais, que reagiram com notas públicas e cobraram a apuração do escândalo.

Na época da denúncia, F.G.E. era presidente do Conselho Estadual de Saúde, onde ocupava a vaga indicada pelos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde). Ele também era secretário geral de Finanças do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação) de Aquidauana. O PT lamentou o caso e expulsou o filiado logo após o escândalo se tornar público.

Em entrevista ao MS Notícias, a mãe das vítimas, celebrou a decisão da 1ª Vara Criminal de Aquidauana. “Estamos muito felizes com o resultado. Com o apoio da população, dos jornais, da mídia em si”, comentou.

“Até porque a gente achava que não iria dar em nada, pelo fato de ele ter dinheiro, de ele ser uma pessoa conhecida, popular, ter vários cargos. As minhas filhas estão aliviadas, teve a justiça que a gente esperava”, afirmou a mulher de 38 anos, que trocou de cidade após o escândalo.

“Agora no dia 7 de dezembro faria 1 ano que eu fiz a denúncia. Elas estão realizadas com a justiça, estão aliviadas, porque foi feito justiça. (Diferente) de outros casos que pela pessoa ter condição social melhor não paga pelo erro que fez, né? Mas ele vai pagar, graças a Deus, graças a nossa Justiça”, afirmou.

“Agradecida a toda a sociedade, as meninas do Mulheres de Aquidauana Pedem Justiça, foi muito fundamental para gente, que conseguiu médico, psicólogo, psiquiatra para nossas filhas, a gente está muito feliz. A gente só tem a agradecer ao nosso advogado, doutor André”, disse, citando o advogado André Lopes Béda.

A condenação pode ser um alívio para a jovem, que sofreu em silêncio por uma década. De acordo com os relatos, a garota tentou o suicídio várias vezes. O padrinho sempre aparecia para dar apoio à família quando ela era encaminhada ao hospital. “Em todas as vezes que isso acontecia, era ele quem nos levava até o hospital”, relatou a mãe. “Ele era meu amigo, mesmo antes de eu ter minhas filhas”, lamentou.

O professor ainda poderá recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

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