Adriano Garcia Geraldo entrou de férias como parte a estratégia para amenizar a crise (Foto: Arquivo)

O vereador Tiago Vargas (PSD) pediu o afastamento imediato de Adriano Garcia Geraldo do cargo de delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após a suspeita de ligação com o jogo do bicho em Campo Grande. O Ministério Público Estadual vai investigar a tentativa dele interferir na investigação sigilosa da Operação Omertà. Em meio a maior crise da instituição, nesta quinta-feira (11), o chefe da Polícia entrou de férias por 15 dias.

A crise começou com a divulgação de gravação da reunião dos delegados com Geraldo, na qual a delegada Daniella Kades de Oliveira Garcia, negou-se a fornecer os nomes dos investigados por comandar o jogo do bicho na Capital, um negócio de R$ 60 milhões. Ao ser pressionada, ela reagiu com a frase “porque não confio na polícia”.

Veja mais:

Delegado geral cobra dados sigilosos da Omertà e delegada diz que “não confia na polícia”

Réu na Operação Omertà, delegado vai ser monitorado por tornozeleira por mais 180 dias

Justiça sequestra casa que escondeu arsenal da Omertà e bastidores de extorsão

Durante a reunião, Adriano Garcia cobrou os nomes dos grupos de fora que estariam na Capital substituindo o vácuo deixado pela família Name no jogo do bicho. A delegada contestou a informação de que os novos integrantes seriam de fora do Estado. No entanto, Daniella Kades não revelou os nomes dos alvos da investigação em andamento.

“Eu não vou falar o nome das pessoas”, afirmou a delegada. “Por que?”, questionou o delegado-geral. “Por que não confio na polícia”, enfatizou Daniella, na frente do chefe. Ele reagiu: “não confia em você?”. “Em mim, eu confio”, ressaltou a delegada, causando a fúria do chefe. O delegado-geral determinou a abertura de dois processos contra a delegada.

A retaliação contra Daniella elevou a pressão. O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, o Carlinhos, deixou claro que o chefe da Polícia Civil não vai interferir na investigação conduzida pela corregedoria para apurar a sua conduta.

O MPE recebeu denúncia para apurar o caso. O vereador Tiago Vargas engrossou o coro contra o delegado. Ele pediu oficialmente o afastamento imediato de Adriano Garcia do cargo de diretor-geral da Polícia Civil.

“As denúncias são graves, e com certeza devem ser investigadas a fundo por esta respeitável Secretaria. É inadmissível que tenhamos dentro de nossa Polícia Civil caso de servidores que colaboram com a criminalidade do nosso município”, enfatizou o vereador.

De acordo com Vargas, Geraldo pode ter praticado três crimes: prevaricação, advocacia administrativa e coação moral. “É um absurdo”, lamentou.

Em despacho publicado no Diário Oficial de hoje, o secretário de Justiça e Segurança Pública anunciou as férias de Adriano Garcia Geraldo. A chefia da polícia ficará a cargo da delegada Rozeman Geise Rodrigues de Paula de 16 a 30 de novembro deste ano. Conforme o Jornal de Domingo, a medida faz parte das ações para tirar Adriano do foco do escândalo.

O delegado geral não é o primeiro integrante da Secretaria de Segurança Pública suspeito de ter ligação com a jogatina. O delegado Márcio Obara chegou a ser preso e usou tornozeleira até esta semana acusado de interferir em investigações e sumir com provas para ajudar os supostos chefes de grupos de extermínio, como os empresários Fahd Jamil e Jamil Name. Ele sempre negou as acusações.