Dr. Maurílio em campanha para eleger Lenilso: suposto desvio da prefeitura foi maior durante as eleições (Foto; Arquivo)

Réus pelo desvio milionário na Prefeitura de Maracaju, o ex-prefeito Maurílio Ferreira Azambuja, o Dr. Maurílio, e o ex-secretário municipal de Fazenda, Lenilson Carvalho Antunes, ambos do MDB, movimentaram R$ 4,480 milhões na véspera das eleições municipais do ano passado. O valor foi dez vezes a média mensal movimentada na “conta fantasma”, que foi encerrada logo após a vitória do candidato da oposição, Marcos Calederan (PSDB).

Os dados fazem parte do despacho do juiz Marco Antônio Montagnana Morais, da 2ª Vara Cível e Criminal de Maracaju, que autorizou os mandados de busca e as prisões cumpridas na Operação Dark Money, deflagrada no mês passado pelo DRACCO (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado).

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Dr. Maurílio está em prisão domiciliar em decorrência da idade e dos graves problemas de saúde. Ele tentou transferir o local do recolhimento para uma das fazendas dos filhos, mas o pedido foi negado pelo magistrado, conforme reportagem do Campo Grande News. O juiz também manteve a prisão preventiva de Lenilso, do ex-chefe de Licitações, Edimilson Alves Fernandes, e do empresário Pedro Everson Amaral Pinto.

Conforme a representação do DRACCO, a conta secreta movimentou R$ 23,479 milhões. Para despistar as autoridades, os cheques eram emitidos sempre com valor de até R$ 49 mil. No despacho para decretar as prisões e acatar o pedido de quebra de sigilos, Morais destacou a evolução dos gastos durante a campanha eleitoral, quando Dr. Maurílio tentou emplacar Lenilso como sucessor.

“Aliás, curiosamente observa-se que a movimentação financeira em referida conta aumentava na exata medida em que se aproximavam as eleições de 2020. Com efeito, em dezembro de 2019 foram movimentados por meio dela R$ 541.897,58 (quinhentos e quarenta e um mil, oitocentos e noventa e sete reais e cinquenta e oito centavos); já em novembro de 2020,foram movimentados R$ 4.480.883,94 (quatro milhões, quatrocentos e oitentamil, oitocentos e oitenta e três reais e noventa e quatro centavos)”, pontuou.

“Nesse horizonte, é possível cogitar, em tese, que o desvio de recursos públicos que se apresenta tem relação íntima com o pleito eleitoral de 2020.Até o momento foi possível apurar o destino de valores pagos por meio de 75 (setenta e cinco) cheques de um total de 627 (seiscentos e vinte e sete), que, juntos, totalizam R$ 23.634.408,24 “, destacou.

Os acusados de integrar o esquema criminoso encerraram a conta logo após a vitória de Calderan. O tucano descobriu a conta e encaminhou todos os documentos para a Polícia Civil, que investigou e confirmou as irregularidades.

No despacho, o juiz decretou o sequestro de contas bancárias e bens de 47 pessoas e empresas. Os valores variam de R$ 18 mil até R$ 2,8 milhões. Dr. Maurílio teve o montante de até R$ 146,6 mil. O ex-secretário municipal de Fazenda teve a indisponibilidade de R$ 1,971 milhão. O maior montante bloqueado, de R$ 2,851 milhões, foi da ex-secretária municipal de Administração, Daiana Cristina Kuhn.

“Com efeito, a prisão cautelar tem o objetivo concreto de angariar outros elementos de prova capazes de elucidar ainda mais a questão posta nestes autos, e reafirmar eventualmente a prática delitiva e a sua autoria. Mas não somente isso. Como a experiência demonstra, acusados de crimes envolvendo a administração pública, ao tomarem conhecimento de possíveis diligências empreendidas pelo Estado para apuração de seus delitos, invariavelmente se apressam em destruir provas a fim de evitar uma possível responsabilização, o que se permite cogitar aqui caso os investigados venham a saber da investigação sem a adoção prévia de medidas cautelares de urgência”, justificou o juiz para decretar a prisão dos envolvidos no suposto esquema criminoso.