Operação Dark Money cumpriu mandados de busca na quarta-feira: o maior escândalo de corrupção de Maracaju (Foto: Arquivo)

Investigação do DRACCO (Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado) identificou 15 empresas que foram beneficiadas pelo desvio de R$ 23,479 milhões dos cofres da Prefeitura Municipal de Maracaju. Apenas uma construtora, que pertence a um servidor, recebeu R$ 876,1 mil, conforme análise do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro.

O esquema de corrupção é investigado na Operação Dark Money, que levou a prisão oito pessoas, inclusive Maurílio Azambuja Ferreira, o Dr. Maurílio (MDB), que foi prefeito por três mandatos no município de 48 mil habitantes. A Justiça decretou a prisão preventiva de cinco pessoas, inclusive do emedebista, que acabou sendo liberado para ficar detido em casa com monitoramento eletrônico.

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O ex-secretário municipal de Fazenda e candidato a prefeito nas eleições do ano passado, Lenilso Carvalho Antunes (MDB), também está com a prisão preventiva decretada. Ele foi preso em Umuarama (PR) e transferido para Campo Grande, onde prestou depoimento.

“Os fatos apurados até o momento indicam que uma organização criminosa estabelecida mais especificamente na Secretaria de Fazenda teria desviado o dinheiro mediante a abertura de uma conta clandestina, que não foi informada aos órgãos de controle”, informou a polícia, em nota.

“Dos 627 cheques da referida conta emitidos, 75 já foram minuciosamente analisados pelo Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro, apurando-se que foram nominais a 15 empresas que não tiveram contratação formal com a Prefeitura, ou seja, não se submeteram a qualquer procedimento licitatório, bem como inexistem na Prefeitura notas fiscais que justificam os pagamentos efetuados”, explicou.

A empresa PRÉ-MOLDADOS MARACAJ EIRELI, que tem como sócio servidor público nomeado para função na Secretaria de Fazenda, teria recebido R$ 876.149,08 em cheques. O valor representa 3,37% do montante desviado. “O funcionário público teve sua prisão preventiva decretada e suas contas pessoais e empresarias bloqueadas pela justiça”, informou a delegada Ana Cláudia Medina, titular do DRACCO.

A empresa PEDRO EVERSON DO AMARAL PINTO ME teria recebido R$ 354.429,00. Pedro Everson Amaral Pinto, também com a prisão preventiva decretada pela Justiça, é acusado de ser o operador financeiro do esquema criminoso que desviou a fortuna da prefeitura de Maracaju.

Dr. Maurílio confirmou, em depoimento à polícia, que abriu a conta para supostamente pagar a folha de pagamento da prefeitura. No entanto, ele garantiu que não sabia que passou a ser usada para desviar recursos da prefeitura. O desvio de R$ 23,4 milhões ocorreu apenas nos últimos dois anos do segundo mandato, 2019 e 2020.

O desvio milionário ocorreu em plena pandemia da covid-19, quando a população passou a sofrer com uma das mais graves crises financeiras do País.