Soraya é cotada para assumir o comando do partido criado com a fusão DEM-PSL em MS (Foto: Arquivo)

A senadora Soraya Thronicke é cotada para assumir o novo partido a ser criado da fusão do PSL com o DEM em Mato Grosso do Sul. No entanto, a ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina Dias, cogita se filiar ao Progressistas, do presidente da Câmara, Arthur Lira, e arrastar os dois deputados estaduais do Democratas.

As articulações nos bastidores devem mexer com o rumo da política em Mato Grosso do Sul. Os presidentes nacionais do PSL, Luciano Bivar, e do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, estão otimistas e pretendem bater o martelo sobre a fusão até o mês de outubro. A expectativa é ter o aval da Justiça Eleitoral em até quatro meses.

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A nova sigla, que pode ser chamada de Democracia Liberal, surge como a maior da Câmara dos Deputados, com 81 parlamentares e sete senadores. Bivar deverá ser o presidente, enquanto ACM ficará com a secretaria geral. A tendência é repetir esse organograma em MS, com o PSL indicando o presidente, que será Soraya, e o DEM ficando com a secretaria geral.

A expectativa é de que os atuais filiados ao DEM deixem a sigla. Deputada federal licenciada, Tereza Cristina deve acompanhar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na nova sigla. Atualmente, ela estaria de malas prontas para embarcar no PP, de Alcides Bernal, e dos deputados estaduais Gerson Claro e Evander Vendramini.

Os deputados estaduais José Carlos Barbosa, o Barbozinha, e Zé Teixeira, primeiro secretário da Assembleia Legislativa, estariam dispostos a acompanhar a ministra. O ex-presidente da Sanesul contou que a decisão só será tomada na abertura da janela partidária, em março.

O PSL também pode perder os três deputados. Capitão Contar e Dr. Luiz Ovando são famosos pela fidelidade a Bolsonaro. Eles aguardam o partido a ser definido pelo capitão para mudar de sigla. Loester Trutis chegou a ser afastado do comando do PSL por Soraya no ano passado ao ignorar o acordo para tentar ser candidato a prefeito da Capital no lugar do então vereador Vinicius Siqueira.

No entanto, o novo partido poderá receber novos filiados, já que dispõe de dinheiro e tempo de televisão para a campanha eleitoral em 2022. Como o cálculo é feito com base no tamanho da bancada eleita na eleição anterior, a fusão garantirá o maior recurso do fundo eleitoral para o novo partido. Com base no montante dividido no ano passado, DEM-PSL terão R$ 320 milhões para a campanha. Também terão o maior tempo de TV.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, passará a contar com três concorrentes para ser o candidato a presidente da República. Além do democrata Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado, ele passará a disputar a preferência com o apresentador de TV, José Luiz Datena (PSL). O nome com maior índice nas pesquisas terá o apoio do novo partido para disputar a sucessão de Bolsonaro.

Outro problema é que Mandetta poderá disputar o apoio do partido com Bolsonaro. Nas duas siglas, há deputados e caciques que defendem a reeleição do atual presidente.

O novo partido ganhará musculatura para disputar a sucessão de Reinaldo Azambuja (PSDB) em 2022. Soraya é pré-candidata a governadora. A outra opção seria a deputada federal Rose Modesto, que vem articulando abandonar o ninho tucano para ser candidata por outro partido. Ela recebeu convite de Bivar e Soraya para se filiar ao PSL e pode chegar na campanha com mais dinheiro e tempo no horário eleitoral para disputar o Governo.