Mandetta discursou e defendeu o impeachment de Bolsonaro por negligência contra a vida no combate à pandemia (Foto: Reprodução)

As manifestações do MBL (Movimento Brasil Livre) e do VPR (Vem Pra Rua), que reuniram os presidenciáveis da 3ª via, pelo impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) fracassaram neste domingo. Com a participação do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e da senadora Simone Tebet (MDB), o ato na Avenida Paulista reuniu cerca de 6 mil pessoas, segundo estimativa da Secretaria de Segurança, contra 125 mil da manifestação a favor do presidente.

O fiasco do protesto fez a alegria dos bolsonaristas. Aliados e seguidores de Bolsonaro aproveitaram para tirar sarro do ex-deputado federal campo-grandense. “Mandetta, pode ir para a manifestação que o distanciamento social está sendo ‘totalmente respeitado’ em todas as manifestações de hoje. Rolando de rir no chão”, comentou o ministro das Comunicações, Fábio Faria, que também é genro de Silvio Santos. Ele postou fotos de ruas vazias em várias capitais.

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“Manifestações impressionantes e inéditas: pela primeira vez, o palanque estava mais cheio do que a rua. Fato histórico”, completou o ministro. “EU JURO que ia ficar quieta rindo sozinha, mas daí lá vem o Ministro @fabiofaria provocar e não aguentei! Então lá vai: CHORA ESQUERDA! Se estão rindo do que Fábio postou é porque não viram as gargalhadas que o Ministro @gilsonmachadont está dando por aí, se ele liberar eu posto”, engrossou a ministra da Mulher, Damares Alves.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (Republicanos) também entrou na onda e debochou do evento. “Imagens feita de drone olha isso MBL e Terceira Via VEXAME MUNDIAL KSKSKSK”, postou o filho do presidente, com imagens de ruas vazias. Até Bolsonaro entrou na crítica ao postar uma foto em Brasília com apenas duas pessoas.

A manifestação na Avenida Paulista reuniu ainda menos gente na conta do MBL. O grupo estimou em 2 mil pessoas, menos do que a estimava da pasta vinculada ao governador João Doria (PSDB), que participou do evento. Também compareceram o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), e o banqueiro João Amoêdo (Novo), que disputou a presidência da República em 2018.

Simone não ficou desanimada com o fracasso do protesto e, empolgada, defendeu o impeachment de Bolsonaro. Ela afirmou que a CPI da Covid do Senado, onde vem ganhando destaque nacional, vai provar que o presidente cometeu crime de responsabilidade. “Mas isso não basta para o impeachment, é necessário o povo nas ruas, manifestações”, defendeu a emedebista.

“Estamos diante de um presidente da República que não é só incompetente, faz conchavo com o que há de pior na política”, bradou, referindo-se aos políticos do Centrão. Simone não mencionou o ex-presidente Michel Temer (MDB), que foi denunciado duas vezes e até preso por corrupção. “A caminhada não vai ser fácil”, concluiu a senadora, que puxou o grito de guerra em defesa da democracia.

Mandetta também se empolgou e defendeu o impeachment de Bolsonaro por “negligência pela vida” no combate à pandemia. Ele lembrou que quando era ministro da Saúde avisou o presidente da gravidade da covid-19, de que a doença era grave, contagiosa e matava, mas o capitão reagiu limitando a preocupar-se com a economia.

Bolsonaro teria proposto que o ex-ministro usasse seu prestígio para defender os medicamentos sem eficácia comprovada, como cloroquina e ivermectina. “Não, valores não se negocia. A vida não se negocia”, afirmou o ex-ministro.

O protesto na Avenida Paulista acabou reunindo os pré-candidatos a presidente da 3ª via e fizeram a manifestação do nem Bolsonaro, nem Lula. No entanto, o movimento não empolgou. O ato a favor de Bolsonaro e contra o Supremo Tribunal Federal reuniu 125 mil pessoas em 11 quarteirões no dia 7 de Setembro. O ato deste domingo mal ocupou três quadras. O Grito dos Excluídos, realizado pelos sindicatos e movimentos de esquerda, contou com 15 mil na última terça-feira.

Protesto na Avenida Paulista reuniu menos de 10% do ato a favor de Bolsonaro no Dia da independência (Foto: G1)