Trutis e Ciro, assessor e irmão de Cid, que passou a receber da Câmara dos Deputados como prestador de serviço desde outubro do ano passado (Foto: Arquivo)

Campeão em gastos da cota parlamentar no primeiro semestre deste ano, o deputado federal Loester Trutis (PSL) destinou 27,45% dos R$ 231.833,98 utilizados neste ano para o irmão de Ciro Nogueira Fidelis, seu assessor no legislativo. De acordo com o Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, Cid Nogueira Fidelis recebeu R$ 63.650 de janeiro a maio deste ano.

O valor pago a Cid só ficou atrás do desembolso com consultoria, pesquisa e trabalhos científicos, nomenclatura utilizada para contratar advogados. Nos primeiros cinco meses do ano, Trutis pagou R$ 76 mil a dois advogados, mesmo contando com assessores jurídicos entre os 15 funcionários lotados no seu gabinete.

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O irmão de Ciro foi contratado por meio dos recursos destinados para divulgação da atividade parlamentar. Nos meses de janeiro, fevereiro e março deste ano, ele recebeu R$ 10,4 mil por mês. Em abril e maio deste ano, Cid recebeu R$ 16,2 mil mensais.

Ele foi contratado para produzir conteúdo para publicidade das ações de mandato de Trutis, como vídeos, vinhetas publicitárias e vídeos. As gravações, conforme a nota fiscal anexada, podem ocorrer em estúdio e ambientes externos. Fidelis também ficou encarregado para fazer fotografia e produzir conteúdo para as redes sociais do parlamentar, onde é bastante ativo e tenta se contrapor às notícias negativas postadas na mídia.

O curioso é que a nota fiscal de abril, no valor de R$ 16.250, não foi exibida por questões de privacidade. “Este comprovante de despesa não foi publicado no portal da Câmara dos Deputados porque o gabinete parlamentar ou a liderança partidária declarou que o mesmo contém informações relativas à intimidade, vida privada, honra ou imagem de pessoa física”, alegou o parlamento para omitir a NF.

Em maio deste ano, Cid recebeu R$ 16,2 mil da Câmara por meio da cota de Loester Trutis (Foto: Reprodução)

A Câmara dos Deputados começou a pagar pelos serviços de Cid Nogueira Fidelis pela primeira vez em outubro do ano passado, quando o montante repassado foi de R$ 5,5 mil. Em novembro o valor repassado ao irmão do assessor já subiu para R$ 7,5 mil. Em dezembro, Fidelis já recebeu R$ 10,4 mil pelo “trabalho” prestado a Trutis. O valor pago a Cid corresponde ao valor pago a Ciro Nogueira Fidelis como assessor parlamentar. Conforme o Portal da Transparência, o salário mensal é de R$ 16.221,60 por mês.

O total gasto com Cid Nogueira Fidelis neste ano somou R$ 63.650, 27,45% do montante usado da cota parlamentar, e só inferior aos R$ 76 mil pagos aos advogados Thiago Vinícius Corrêa Gonçalves (que recebeu de março a maio) e Jader Evaristo Tonelli Peixer (janeiro e fevereiro). No ano passado, ao ter os gastos com advogados divulgados, Trutis alegou que o valor compensava porque o salário de um advogado seria mais oneroso ao poder público.

Cid é irmão de Ciro Nogueira, que acabou sendo indiciado pela Polícia Federal por ter participado da suposta simulação do atentado contra Trutis em fevereiro do ano passado. Como tem foro privilegiado, o deputado não foi indiciado, mas o delegado da PF também sugeriu seu indiciamento pelos crimes de falsa comunicação de crime, disparos de arma de fogo e porte ilegal de arma de uso restrito.

Ciro também foi responsável, junto com Trutis, pela campanha em busca de informações sobre o suposto mandante do atentado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em setembro de 2018. Eles não concordaram com a conclusão da PF de que não houve mandante e ofereceram R$ 200 mil de recompensa em busca de pistas. Até o momento, dois anos depois, a campanha do deputado e do assessor não teve nenhum resultado oficial.

Sem papas na língua e polêmico, Trutis se notabilizou por criticar os meios de comunicação. Em postagem feita na rede social no dia 5 deste mês, ele se gabou de destinar “R$ 0 reais para a imprensa de MS”. Mas não contou que estava destinando R$ 16,4 mil por mês destinada à atividade para divulgação do mandato parlamentar para o irmão do assessor.

Ciro diz que “não há nada ilegal” e irmão é doutorando em comunicação

Em nota encaminhada ao O Jacaré, Ciro justificou a contratação do irmão. “Não há nada ilegal, Cid tem empresa constituída há anos, é doutorando em comunicação tem no Hall de seus clientes grandes empresas do estado e órgãos públicos como o MP”, justificou.

“Cid Nogueira não tem parentesco com o parlamentar. Eu sou um membro da equipe, nosso chefe de gabinete desde o final de 2019 é o senhor Pedro Bergo Almeida”, explicou Ciro.