Senadora ganhou destaque nacional ao arrancar de deputado o nome de Ricardo Barros durante depoimento na CPI da Covid do Senado (Foto: Divulgação)

A senadora Simone Tebet (MDB) afirmou, em entrevista deste domingo ao jornal O Globo, de que caiu por terra o discurso de Jair Bolsonaro (sem partido) de que não havia corrupção no seu Governo. A sul-mato-grossense ganhou destaque nacional no fim de semana ao conseguir arrancar, do deputado Luís Miranda (DEM), do Distrito Federal, o parlamentar citado pelo presidente que estaria envolvido na polêmica importação da Covaxin, que teria custado 1.000% a mais.

Após horas de depoimento na comissão, Miranda evitava citar o nome do líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), do Paraná, uma das principais lideranças do Centrão. Ao ser inquirido por Simone, na noite de sexta-feira, ele acabou colocando o representante do Governo no legislativo no olho do furacão.

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“Percebi, pela linguagem corporal do deputado Miranda, que não faltava muito para falar o nome. O senador Alessandro Vieira, que se dirigiu ao Miranda antes de mim, teve uma posição estratégica de, como delegado, ir para o ataque cobrando que declarasse o nome. Quando chegou a minha vez, sentei-me à frente do Miranda para olhá-lo nos olhos. Aí pensei: ‘Agora vou inverter a dinâmica e entrar com o acolhimento, como se fosse mãe ou irmã’. É uma sensibilidade que só as mulheres têm. Disse para não ter medo, porque toda a população estaria do lado dele. É muito significativo o fato de a denúncia ter partido de um bolsonarista que se decepcionou com o governo”, relatou em entrevista ao jornal carioca.

Para a emedebista, o escândalo envolvendo a compra da Covaxin acaba com um dos discursos bolsonaristas, de que não havia corrupção no Governo. “Caiu por terra a avaliação de que o governo Bolsonaro podia cometer erros, mas não havia corrupção”, avaliou Simone, que passou a cogitar a possibilidade de disputar a presidência da República como candidata da 3ª via.

“Agora, há um novo elemento: a suspeita de corrupção em torno do dinheiro que deveria ser usado para vacinar a população, uma suspeita que envolve representantes do governo e o líder do governo na Câmara. Estamos falando de indícios muito fortes de fraude num processo de R$ 1,6 bilhão para aquisição de vacinas. Estamos diante do que poderia ser classificado como elemento de desumanidade”, afirmou.

Para Simone, há indícios de que houve prevaricação, não apurar uma denúncia. Contudo, falta descobrir quem cometeu o crime. “A resposta vai depender do próprio Pazuello (ex-ministro da Saúde). Nas palavras do governo, Bolsonaro avisou ao Pazuello. A pergunta é: acionou mesmo? Alguém prevaricou, pois recebeu de um deputado e de um servidor da Saúde uma denúncia grave sobre indício de corrupção, com documentos, provas, nomes, mas não avisou a Polícia Federal nem o Ministério Público Federal. O crime de prevaricação no governo, que admitiu que foi alertado, é óbvio. Resta saber quem o praticou”, disse a senadora.

Simone defendeu a entrega do cargo de líder do Governo na Câmara por Barros até o deputado provar que não tem ligação com os crimes de corrupção. “Com a denúncia, acredito que Barros não poderá continuar como líder do governo até mostrar inocência”, propôs.

“O foco agora é em cima desse contrato bilionário (da Covaxin) envolvendo uma vacina que não havia comprovação da eficácia, que não poderia ter sido assinado porque a lei não permitia. E assinado por um governo que sempre negou a vacina e nunca quis adquirir de outras marcas. O contrato, a meu ver, violou as regras. É preciso ouvir as pessoas envolvidas”, defendeu a senadora. Simone foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. No início do ano, ela disputou a presidência do Senado e foi derrotada pelo atual presidente, Rodrigo Pacheco (DEM), de Minas Gerais, que tinha o apoio de Bolsonaro.