Alcides Bernal e Thaís Helena em 15 de maio de 2014, quando liminar, que durou pouco, devolveu prefeitura ao progressista. (Foto: Arquivo)

Ex-secretária na gestão do prefeito Alcides Bernal (Progressistas) e ex-vereadora, Thaís Helena encerrou a maratona de audiências da Coffee Break. Num depoimento de quase duas horas, lamentou o fracasso do estilo Bernal de administrar, lembrando que ele era o marco do nascimento de um novo grupo político e deveria  ser o próximo governador de Mato Grosso do Sul.

“Se o Bernal conseguisse fazer uma boa administração, seria o próximo governador do Estado. A expectativa era muito grande”, afirma Thaís Helena, atualmente inelegível e proibida de disputar eleições.

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Se dizendo saudosa de comentar sobre política, ela chegou a comentar com o juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, que ele a deixou inelegível.

O tom foi de conversa amigável, com elogios às testemunhas pelas explanações sobre o tema política. “O seu trabalho não ficou só no papel”, disse o promotor Humberto Lapa Ferri, citando diversos fatos encaminhados pela ex-vereadora. `Por outro lado, a saudosa Thaís Helena fez relatos extensos sobre como atuava na oposição:  madrugou nos postos de saúde, mediu asfalto para conferir a espessura e esquadrinhou editais da concessões da prefeitura.

Desta forma, ela avalia que o prefeito nem “sofreu” com Câmara Municipal, pois os vereadores não sabiam fazer oposição. Passados seis anos, ela discorda da cassação, mas avalia que o estilo centralizador paralisou a cidade. “Campo Grande perdeu com crise do modo Bernal de administrar”.

Para a ex-secretária, é correto o gestor suspender contratos com empresas para reavaliar, mas toda paralisação deve ser publicada em diário oficial, com prazo para decisão de manter ou rescindir “O problema foi a maneira que fez, a forma foi errada”.

Segundo Thaís Helena, Bernal, ainda na fase de transição, já comentava sobre a disposição de suspender contratos com empresas que considerava do grupo político ligado a André Puccinelli e Trad. A ex-secretária afirma que o prefeito nunca comentou que era chantageado por empresário. Numa oportunidade,  ela indagou a Semy Ferraz, então secretário de obras, por que os projetos não andavam. O secretário  respondeu que era dificuldade administrativa.  

Já a letargia de Bernal ela conheceu de perto. Pedidos de nomeação não eram decididos e licitação, mesmo com dinheiro assegurado, ficava no papel.  “Tinha relação de amizade com o Bernal.  Infelizmente, ele não agiu com essa mesma reciprocidade. Eu não tinha autonomia para nada. Era uma desconfiança de tudo. Era centralizador e demorava muito para tomar a decisão, que era toda dele”, afirma.

Thaís Helena foi testemunha de André Scaff, ex-procurador da Câmara e ex-secretário na gestão de Gilmar Olarte, que sucedeu Bernal após a cassação. Ela refutou que ele fosse influente a ponto de ser chamado de “vereador sem votos”.

“Sinceramente, acho que não tinha esse tamanho todo. Acredito que foi para a prefeitura por conhecer de orçamento público e finanças”. Sobre as finanças do próprio Scaff, ela disse saber que ele tem propriedade rural e cansou de emprestar de dinheiro para quem precisava.  

A operação Coffee Break, que  investiga conluio entre vereadores e empresários para cassar Bernal,entra agora na fase de alegações finais na área de improbidade administrativa.