PF concluiu que deputado simulou atentado e não tinha registro de arma quando foi prestar depoimento (Foto: Arquivo)

A Polícia Federal concluiu que o deputado federal Loester Trutis (PSL) simulou o atentado a bala no dia 16 de fevereiro do ano passado e deve ser indiciado por quatro crimes. Além disso, ele ainda pode responder pelos crimes de posse ilegal de armas de uso permitido e uso restrito, que foram encontradas em sua residência na Operação Tracker, deflagrada em 12 de novembro de 2020.

O ex-assessor parlamentar e empresário Ciro Nogueira Fidelis (PSL), candidato a vereador na Capital, foi indiciado por dois crimes. O inquérito foi concluído no dia 28 de maio deste ano e encaminhado na quarta-feira (16) para a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal.

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Conforme os delegados Glauber Fonseca de Carvalho Araújo, da PF em Mato Grosso do Sul, e Fernando Schwengber Casrin, de Brasília, Trutis não sofreu nenhum atentado. Assim como o ex-prefeito de Dourados, Ari Artuzi, ele teria simulado o atentado para criar fato político. No entanto, a investigação não conseguiu descobrir a motivação do crime. A suspeita é de que tenha sido para impulsionar a candidatura a prefeito de Campo Grande, que acabou não se concretizado após ele ser destituído do cargo de presidente do diretório municipal do partido.

Pela simulação do atentado na madrugada do dia 16 de fevereiro de 2020, Trutis deveria ser indiciado pelos crimes de falsa comunicação de crime, disparos de arma de fogo, dano (causado no veículo) e porte ilegal de arma de fogo. A PF não o indiciou porque há jurisprudência no STF de que o parlamentar tem direito a foro privilegiado e só pode ser indiciado com aval da corte.

Segundo o relato do deputado, ele e o assessor saíram da Capital na madrugada de domingo para cumprir agenda em Sidrolândia, quando passaram a ser perseguidos por uma caminhonete na BR-060. O suposto bandido efetuou vários disparos contra o parlamentar, que reagiu e acabou saindo ileso do suposto atentado.

A investigação desconstruiu a tese do deputado. Os policiais não encontraram vestígios de tiros nem vidros quebrados no local do atentado na rodovia. Com base em imagens das câmeras de vigilância e do rastreador do carro, que era locado, a PF concluiu que eles pegaram duas estradas vicinais, pararam o veículo e efetuaram os disparos.

Trutis tinha vestígios de pólvora nas mãos e chegou para prestar depoimento na superintendência com uma pistola Taurus calibre 380 sem registro. Ele também faltou com a verdade ao repetir na delegacia de que teria sofrido um atentado. Conforme o delegado, “seria extremamente improvável que o parlamentar, na posição em que se encontrava no interior do veículo, não teria sido atingido por um dos disparos efetuados”.

Outra conclusão é de que não houve a participação de outro carro no atentado a bala. Os peritos concluíram que “não seria possível que um dos disparos que atingiram o veículo ocupado pelo deputado pudesse ser realizado por alguém que estivesse embarcado em outro veículo agressor, ou seja, o atirador deveria necessariamente estar desembarcado”.

Com base na Operação Tracker, deflagrada pela PF no dia 12 de novembro do ano passado, Trutis poderá ser indiciado pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito. O parlamentar estava com um fuzil T4 Taurus, registrado em nome de Jovani Batista da Silva, um revólver 357 e uma pistola 9mm, oficialmente de Ciro Fidelis. A PF concluiu que o parlamentar era o real proprietário das armas. Neste caso, ele será alvo de outro inquérito.

A decisão sobre o indiciamento de Trutis caberá à ministra Rosa Weber. Em caso de recebimento da denúncia pelo STF, o parlamentar poderá ser julgado e condenado pelos quatro crimes.

Eleito na onda de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018, Loester Trutis se mantém fiel ao presidente e tenta manter a fama com críticas aos meios de comunicação. Ele se apresenta como adversário de organizações criminosas que atuam há vários anos em Mato Grosso do Sul. O deputado insiste que foi vítima de um atentado a bala e sempre negou que tenha simulado o ataque.

Até ser alvo da investigação, ele era um dos maiores fãs do trabalho realizado pela PF no combate à corrução no País.