Padres participam do velório de padre Orlando Boeira Cáceres, que morreu em decorrência das complicações da covid-19 (Foto: Reprodução)

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) recuou e adiou para domingo o início do lockdown no comércio, bares e restaurantes em 43 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. A decisão acatou pressão do prefeito da Capital, Marquinhos Trad (PSD), e da Assomasul (Associação dos Municípios). Com a decisão, os empresários poderão faturar com o Dia dos Namorados, considerada a 3ª melhor data de vendas, só atrás das comemorações das mães e Natal.

O decreto publicado ontem (10), sem qualquer discussão e aviso para planejamento causou revolta e levou lojistas ao desespero. As medidas mais restritivas, que incluem a proibição da venda de bebidas alcoólicas em conveniências e supermercados, têm a finalidade de conter a pandemia da covid-19, que bateu novo recorde com mais de 3 mil casos em 24h nesta quinta-feira em Mato Grosso do Sul.

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Com a decisão de liberar o Dia dos Namorados, conforme decreto publicado nesta sexta-feira (11) pelo secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, o Governo se arrisca a repetir o agravamento da situação ocorrida com o Dia das Mães, quando até houve redução do toque de recolher. Desde então, o Estado enfrenta colapso na saúde, com os médicos dando prioridade aos jovens na escolha de leitos de UTI e exportando pacientes para serem internados em Rondônia e São Paulo.

Inicialmente, Reinaldo tinha determinado a suspensão das atividades não essenciais na Capital e outros 42 municípios de hoje até o dia 24 deste mês. Marquinhos pediu para 72 horas para cumprir a medida. O secretário conseguiu um meio termo e atrasou o início das medidas em 48 horas. Na prática, após o Dia dos Namorados, comemorado amanhã.

O decreto de Reinaldo manda fechar o comércio, conveniências, bares, restaurantes, casas noturnas, escritórios, entre outros. No entanto, o Governo listas 51 atividades consideradas essenciais, que poderão abrir durante o lockdown, como igrejas, academias, bancos, lotéricas, indústrias, lojas de materiais de construção, cartórios, transporte coletivo, oficinas mecânicas, etc.

Os setores atingidos pelo lockdown tucano reagiram com indignação pela falta de aviso prévio e por serem os únicos a serem penalizados pelas medidas restritivas. De acordo com o presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Adelaido Vila, o lockdown vai prejudicar demais, porque houve planejamento para a bandeira vermelha, que teria validade por 15 dias. Ele disse que houve até caso de empresário querendo se matar porque recorreu à agiota para emprestar dinheiro para fazer estoque para a data, mas corria o risco de ficar sem vender.

“Mais uma vez o comércio é surpreendido, sem nenhuma previsibilidade e às vésperas do Dia dos Namorados, um total desrespeito com a classe produtiva que se preparou para data. As restrições da bandeira cinza prejudicam mais uma vez o varejo, bares e restaurantes, que contavam com este período para ganhar fôlego, pois esta data é uma das melhores para esses setores”, lamentou. “Mudaram a regra do jogo no meio da noite”, criticou.

“Entendemos a situação da pandemia, mas exigimos respeito por parte dos gestores, que agem de forma irresponsável com o setor produtivo. Não brincamos de comerciantes, isso é a nossa vida, nosso trabalho e que sustenta nossas famílias”, ressaltou.

O presidente da Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes), Juliano Wertheimer, disse que o Dia dos Namorados é a melhor data para o setor. O lockdown no setor causaria prejuízos imensos, porque empresários reforçaram os estoques e contrataram funcionários. Eles temiam perder tudo com o fechamento dos estabelecimentos nesta sexta-feira.

Com a bandeira cinza, Campo Grande e os outros 42 municípios vão ter a venda de bebida alcoólica suspensa por 15 dias. Conveniências deverão ficar fechadas. Supermercados e hipermercados deverão lacrar o setor de bebida. No entanto, o decreto permite a venda de bebida por meio de delivery.

Como o decreto não deixou a lei seca de forma explícita e clara, a polêmica começou com a publicação de reportagem pelo Campo Grande News. Inicialmente, o Governo desmentiu e o site chegou até a publicar o recuo. No entanto, no final da tarde, o Governo confirmou que a venda de bebida alcoólica fica proibida na bandeira cinza, mas será permitida a entrega em casa.

Em meio as trapalhadas da gestão tucana, o número de casos segue em expansão. Foram confirmados 2.252 novos casos e mais 46 mortes nesta sexta-feira. No total, MS tem 310.626 casos e 7.366 óbitos causados pela covid-19.