Ministério da Saúde pagou R$ 350 milhões em máscaras vendidas por distribuidora de relógios de luxo suíços e que não tiveram utilidade para profissionais de saúde em abril de 2020 (Foto: Arquivo/UOL)

Documento enviado à CPI da Covid do Senado revela que o Ministério da Saúde pagou preço acima do mercado por máscaras impróprias para os profissionais de saúde. A compra, investigada pelo Ministério Público Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e TCU (Tribunal de Contas da União), ocorreu na gestão de Luiz Henrique Mandetta, conforme reportagem divulgada nesta quarta-feira (2) pelo portal Uol.

O Governo federal pagou R$ 8,65, o equivalente a US$ 1,65 na época – 241% acima do valor médio do mercado na época. Conforme o documento, na ocasião, levantamento da pasta apontou que as máscaras custavam entre R$ 3,33, R$ 5,69, R$ 7, R$ 16,41 e R$ 30.

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No total, a compra de 40 milhões de máscaras custou R$ 350 milhões ao Ministério da Saúde. O único problema é que os equipamentos de proteção individual vieram com a recomendação “non-medical”. Além disso, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não recomendou a utilização das máscaras pelos profissionais de saúde.

A compra foi autorizada, apesar do valor alto, devido ao estado de emergência. “A compra emergencial, por si só, tende a não favorecer a obtenção de proposta mais vantajosa para a administração devido ao curto prazo para sua efetivação e o enxuto prazo para entrega”, opinou órgão do ministério para autorizar o negócio, firmado no dia 8 de abril do ano passado.

“Partindo do cenário de urgência, entende-se que a aquisição com o preço levemente superior ao que o mercado paga (em condições normais) se encontra condizente com a situação vivenciada”, justificou.

De acordo com o Uol, os produtos foram adquiridos da Global Base Development HK Limite, de Hong Kong. A compra foi intermediada pela 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora, de Freddy Rabbat, especializada na venda de relógios de luxo suíços. Em nota ao portal, por meio dos advogados, ele destacou que os preços praticados na ocasião eram compatível com o praticado no mercado.

Luiz Henrique Mandetta prestou depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)