Dinheiro apreendido pela Operação Status, realizada em setembro pela PF e Receita Federal.

A operação Status, que levou para a cadeia o “Clã Morinigo”, é mais uma ação da PF (Polícia Federal) a revelar que beleza e lavagem de dinheiro andam de mãos dadas. Deflagrada em setembro do ano passado, a ofensiva bateu à porta da Old Jack Barbearia, empresa da fronteiriça Ponta Porã que movimentou R$ 1 milhão em um ano e meio.

Anos atrás, foi a vez da Lama Asfáltica mostrar a alta rentabilidade e que não há crise no setor da beleza. Em 2013, o então salão de beleza de Rachel Giroto, esposa de Edson Giroto (ex-secretário de Obras e ex-deputado federal), registrou lucro de R$ 1,2 milhão. Localizado em Campo Grande, o salão também resultou em lucro de R$ 1 milhão no ano seguinte.

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Na Status, o desempenho milionário da barbearia foi destacado pelo MPF (Ministério Público Federal), que alertou que o estabelecimento, cujos sócios são Kleber Morinigo e Josiane Azambuja Guerini, era usado para lavagem de dinheiro, quando valor oriundo de atividades criminosas, no caso tráfico, é inserido em atividades econômicas formais.

Organograma da operação Status, que sequestrou R$ 230 milhões em bens.

O MPF sustenta que a empresa, que possui como atividade comercial uma barbearia, movimentou mais de R$ 1 milhão no período de apenas um ano e meio.

“Trata-se de quantia elevada e especialmente incomum quando considerado o local em que se encontra instalada, a cidade de Ponta Porã/MS. Outrossim, cumpre lembrar que foram encontradas divergências entre o Livro Diário encontrado na empresa OLD JACK e o Livro Diário encontrado na empresa de contabilidade – VISALEX CONTABILIDADE, o que poderia indicar a efetiva utilização da empresa requerente para a prática de atos ilícitos de lavagem de capitais”, afirma o juiz federal Dalton Igor Kita Conrado, da 5ª Vara Federal de Campo Grande.

O magistrado negou a devolução de materiais apreendidos: notebook, HD (disco rígido que armazena dados), livro-caixa manuscrito e desbloqueio de R$ 13.481 em conta bancária. Os pedidos foram feitos por Josiane, sob a alegação de que os bens aprendidos não mais interessam ao processo.

Segundo o juiz, o artigo 120 do Código de Processo Penal admite como cabível a restituição de bem apreendido, mas não pode existir dúvida quanto ao direito do reclamante.

“Portanto, entendo que os bens objeto do presente pedido de restituição ainda interessam ao feito principal, visto que há sérios indícios de participação de KLEBER MORINIGO e JOSIANE AZAMBUJA na organização criminosa investigada no bojo da Operação Status, assim como da utilização da empresa OLD JACK – BARBEARIA EIRELI ME para a ocultação de bens de origem ilícita”.

Atualmente, conforme consulta à Receita Federal a partir do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) informado no processo, a barbearia tem como proprietária somente Josiane Azambuja Guerini.

Barbearia no Centro de Ponta Porã é investigada em operação da PF.

A atividade econômica principal da Old Jack é comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. Foram elencadas outras quatro atividades secundárias: comércio varejista de bebidas, de mercadorias em lojas de conveniência, de produtos alimentícios e serviços de cabeleireiro, manicure e pedicure.

Num segundo CNPJ, que consta como baixado, a microempresa tinha como sócios Josiane e Kleber.
A Status foi a maior operação liderada pela Polícia Federal de Mato Grosso do Sul no ano passado. Foram sequestrados R$ 230 milhões em patrimônio do tráfico de drogas no Brasil e no Paraguai. No Brasil, as medidas de bloqueio avançaram sobre 42 imóveis, duas fazendas, 75 veículos, embarcações e aeronaves.

O esquema tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína por meio de empresas de “laranjas” e de fachada, como construtoras, administradoras de imóveis e lojas de veículos de luxo. A engrenagem também contava com uma rede de doleiros sediados no Paraguai, com operadores em Curitiba, Londrina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Condenação – A primeira sentença da operação Lama Asfáltica, em 2019, detalha que a investigação foi a campo para saber sobre os rendimentos em salões de beleza, diante do sucesso do empreendimento de Rachel Giroto.

“Dona de salão de porte parecido, de uma tradição muito longa, foi inquirida e disse que nada de tal monta poderia ser seu lucro”, informa o documento.

O salão da esposa de Giroto chegou a ter mais de 40 funcionários. Além de café e bolos, o espaço ofertava champanhe e DJ.

Primeiro, Rachel Giroto tinha sido condenada a cinco anos e dois meses no regime aberto. Em março de 2021, com a reforma da sentença, ela vai cumprir a penas três anos e seis meses em regime aberto, também convertidos na prestação de serviços e pagamento de R$ 22 mil.