Coronel chega ao Garras após ser preso em flagrante extorquindo empresário (Foto: Leonardo França/Midiamax)

O ex-deputado estadual e ex-comandante da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, coronel José Ivan de Almeida, 66 anos, foi preso em flagrante ao extorquir um empresário de Campo Grande. Apesar de a vítima já ter pago R$ 250 mil referente a uma dívida de R$ 80 mil, o oficial e o policial civil aposentado Reginaldo Freitas Rodrigues estavam cobrando para o arquiteto Patrick Samuel Georges Issa, 43, sobrinho do empresário Fahd Jamil, preso desde 19 de abril deste ano na Operação Omertà.

O esquema flagrado pelos policiais do Garras (Delegacia Especializada na Repressão de Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) é semelhante ao adotado pelos empresários Jamil Name e Jamil Name Filho.

Veja mais:

“Fomos sucateados de corpo e alma”, diz empresário que perdeu tudo e foi expulso por Name

Falta de ordem judicial para apreender arsenal de guerra deve anular provas, diz defesa

Juiz aceita denúncia e Ademir Santana vira réu com mais cinco por extorsão majorada

De acordo com o delegado Fábio Peró, titular do Garras, dois empresários da Capital tiveram negócio frustrado com Patrick e ficaram devendo R$ 80 mil. Eles acertaram em pagar R$ 110 mil. Contudo, a dupla já tinha pago R$ 250 mil, mas continuava sendo extorquida pelo empresário, que usava o nome do tio, temido e conhecido como “Rei da Fronteira”, para pressionar as vítimas.

Coronel Ivan, Reginaldo e um terceiro policial civil, que é alvo de investigação, passaram a atuar como braço armado da extorsão. Além de ser obrigado a assinar nota promissória no valor de R$ 282 mil, os empresários estavam sendo ameaçados para dar um terreno no residencial de luxo Alphaville e participação na empresa para o sobrinho de Fahd.

De acordo com Peró, Patrick estava exigindo mais de R$ 600 mil em decorrência da dívida de R$ 80 mil. O empresário fez a denúncia ao Gaeco e ao Garras e armou o flagrante. Na manhã de hoje, o coronel apareceu na casa com Reginaldo e foram flagrados fazendo as ameaças. Patrick não estava na casa, mas foi gravado cobrando a vítima.

Em depoimento à Polícia Civil, o coronel teria admitido o “serviço” e que cobrou R$ 2 mil de Issa. O valor irrisório chama a atenção porque ele tem salário de R$ 32 mil como policial militar da reserva.

O delegado Tiago Macedo, do Garras, desconfia que o arquiteto tenha usado o nome do tio, Fahd Jamil, que está preso aguardando pedido da Justiça para suspender a prisão preventiva ou conceder prisão domiciliar.

No entanto, a polícia investiga uma informação das vítimas, de que teriam sido procuradas para discutir o assunto por Flávio Jamil Georges, o Flavinho, filho de Fahd que está com prisão preventiva decretada na Omertà desde junho do ano passado e se encontra foragido.

Reginaldo, Coronel Ivan e Patrick foram presos em flagrante por extorsão armada. Eles autorizaram o Garras a fazer buscas em suas residências. Peró enfatizou que as autorizações foram gravadas. Na casa do oficial da PM, os policiais encontraram um revólver sem registro. Na casa do arquiteto foram localizados um revólver e uma pistola sem registros.

Os três devem passar por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (27) e o juiz vai decidir se converte a prisão em preventiva. A Justiça também poderá determinar medidas cautelares. O Garras deverá representar pela manutenção da prisão dos três acusados pela extorsão.